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Fim

É com sensação de dever cumprido que escrevo o último texto deste blog. O De Olho no Campo surgiu como um blog de um estudante e termina como o projeto de conclusão de curso de Jornalismo da Unesp, onde me formei em fins de outubro. 

Só posso agradecer pela atenção e apoio de todos nesta empreitada. Durante o site, mudei de cidade algumas vezes, troquei de estágios e inúmeras oportunidades me foram abertas graças a este espaço. Por isso, é com muita felicidade e dignidade que digo: valeu muito a pena!

Um abraço e nos vemos em breve! 
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AGCO e Sony Music fecham parceria exclusiva para lançar o game Farming Simulator 17

Manter uma lavoura com excelentes índices de produtividade é a principal tarefa de quem se dispõe a encarar a nova versão do simulador de fazenda desenvolvido pela Giants Software em parceria com a AGCO Corporation, fabricante e referência mundial em equipamentos agrícolas. 

Distribuído nacionalmente com exclusividade pela Sony Music e mundialmente pela Focus Home Interactive, o jogo chega hoje (28) ao Brasil.

Ao longo do último ano, a AGCO trabalhou ao lado da Giants Software para criar a nova versão do game Farming Simulator – que permite vivenciar diversas etapas da agricultura. Por conta disso, na edição de 2017, o Farming Simulator conta com tratores e colheitadeiras das marcas do grupo, tais como: Massey Ferguson, Valtra, Challenger e Fendt.

Totalmente em português, o game está disponível para PlayStation®4 e Xbox One nas principais lojas on-line e físicas no Brasil. E agora tem mais de 60 marcas e 200 veículos fielmente reproduzidos.

O Farming Simulator 17 oferece uma simulação completa e recheada com uma vasta gama de conteúdo. Outra novidade que a edição traz é a possibilidade de poder jogar pela primeira vez com personagens femininas. Ou seja, para refletir a diversidade da indústria sempre crescente na agricultura, o game passou a oferecer opções de fazendeiras e assistentes também.

A nova versão do simulador tem diversos recursos, entre os quais vale destacar: mais opções de fazendas, veículos e animais para reprodução, além de novas mecânicas de jogo que aumentam a riqueza e profundidade de detalhes a cada ano. A função de partidas multiplayer online permite que o jogador convide seus amigos para ajudá-lo no progresso e expansão de sua fazenda. Pensado também para jogadores mais novos, o game traz menus e informações bastante simplificadas, deixando-o mais acessível tanto para os fãs existentes, como para um público mais jovem.

O hit de simulação da Giants Software tem sido um pilar no mercado de videogames por mais de três anos. As duas versões anteriores de Farming Simulator atraíram quase 5 milhões de jogadores em todas as plataformas e por todo o mundo. Essa enorme comunidade de jogadores tem esperado ansiosamente por notícias frescas de Farming Simulator 17. 
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Soja selvagem é cultivada pela primeira vez no Brasil

Pela primeira vez, o Brasil semeou soja selvagem para estudar seu comportamento e identificar suas diferentes características. Ao todo, foram avaliadas 21 espécies, a maioria originária da Austrália. A regeneração e o armazenamento dessas sementes permitem ampliar a variabilidade genética da soja.

As espécies foram armazenadas no Banco Ativo de Germoplasma (BAG), uma coleção de sementes mantida pela Embrapa Soja em Londrina (PR), considerado o terceiro maior banco da leguminosa no mundo com cerca de 35 mil acessos. 

O trabalho de regeneração e catalogação dessas espécies começou a ser feito nas casas de vegetação da Embrapa Soja no início de 2016 e está praticamente concluído. "É a primeira vez que essas sementes foram catalogadas no Brasil dentro de casas de vegetação", conta o pesquisador Marcelo Fernandes de Oliveira, curador do BAG da Embrapa Soja.

"Ao contrário da soja semeada atualmente, que é originária da China (Glycine max), a soja selvagem ainda é pouco conhecida, mas traz embutidas características que poderão influenciar o futuro dos programas de melhoramento genético", avalia Fernandes. "Apesar de a soja selvagem ser pouco estudada, sabemos que seu genoma é diferente do genoma da soja cultivada e que tem fontes de resistência a várias doenças e pragas", avalia.

A Embrapa recebeu as sementes selvagens por meio de uma parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e com a Universidade de Sydney, na Austrália. De acordo com o pesquisador, muitas das sementes selvagens são similares a grãos de mostarda. As plantas são trepadeiras como o feijão e têm folhas redondas e estreitas, ou seja, muito diferentes da soja cultivada.

"Todo plantio, colheita e debulha das plantas vêm sendo feitos à mão. Esse trabalho é muito minucioso e exige concentração e cuidado de empregados dedicados apenas a essa atividade, para evitar mistura e não haver contaminação entre as sementes", diz o curador do BAG.

Aplicação prática da soja selvagem
Além do curador do BAG, dois técnicos e um operário de campo administram o Banco. A equipe realiza um trabalho sistemático de catalogação e multiplicação dessas sementes, identificando suas diferentes características, como produtividade, porte de planta, ciclo, resistência a doenças, sabor, tolerância à seca, entre outros.

Depois de catalogadas, essas plantas ficam disponíveis para serem cruzadas com outras plantas, passando a fazer parte do programa de melhoramento genético.  "Temos que catalogar e conhecer essas fontes genéticas porque, caso contrário, não teremos como utilizar toda essa riqueza", explica Fernandes.

De acordo com o pesquisador, primeiramente serão identificadas fontes de resistência para três doenças severas para o grão: ferrugem-da-soja, cancro-da-haste, e cercospora. "Queremos avaliar esses acessos para cancro-da-haste e cercospora, porque são doenças que já causaram grandes prejuízos no passado e hoje são usadas apenas uma ou duas fontes de resistência em todo Brasil", diz.

O pesquisador conta que já se sabe que a Glycine tomantela, uma das espécies de soja selvagem, tem genes de resistência à ferrugem-asiática, mas a ideia é identificar outros genes e usá-los para melhorar a soja comercial ou mesmo garantir novas estratégias de manejo. 

"Estamos buscando identificar e introduzir genes que ampliem a tolerância à ferrugem para reduzir, por exemplo, o número de aplicações de fungicidas", conta Fernandes. Também é objetivo fazer melhoramento genético preventivo, ou seja, ter fontes genéticas para evitar quebras de resistência futuras. "Além disso, precisamos estar preparados para doenças com potencial risco de ser introduzidas no País", alerta.

Banco Ativo de Germoplasma: patrimônio nacional
Por que algumas plantas de soja são mais produtivas, outras têm maior teor de proteína e há ainda as que são resistentes a diferentes tipos de doenças? Isso ocorre porque elas comportam diferentes características genéticas e essas diferenças são importantes para produzir variedades específicas para diversos desafios encontrados no campo.

A fim de  preservar a variabilidade genética, a Embrapa Soja mantém no Banco Ativo de Germoplasma uma coleção de aproximadamente 35 mil acessos (tipos de soja) introduzidos da coleção dos Estados Unidos e de outros países da África, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania. "Quanto mais acessos diferentes e caracterizados, melhor será sua utilização nos programas de melhoramento para desenvolvimento de novas variedades," esclarece Fernandes.

O BAG da Embrapa conta com as espécies selvagens, com exemplares das cultivadas na China há mais de cinco mil anos, até sementes utilizadas comercialmente no Brasil. A Glycine max, hoje uma das mais importante commodities mundiais, é muito diferente das suas ancestrais que lhe deram origem. De acordo com Fernandes, a evolução da soja começou com o aparecimento de plantas oriundas de cruzamentos naturais, que foram domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga China.

Criado em 1976, o BAG da Embrapa passou por diversas mudanças e ampliações e hoje é o terceiro maior Banco de sementes de soja do mundo. No caso da Embrapa, o acesso a essas características foi determinante para modernizar completamente a genética do portfólio das cultivares BRS. "Hoje nosso portfólio é o mais completo do mercado, porque temos soja para atender às diferentes necessidades do produtor como precocidade, hábito indeterminado, reação a novas doenças e alto potencial produtivo", comemora.

Para manter essas sementes, a Embrapa Soja dispõe de uma estrutura que foi remodelada, em 2011, e está totalmente automatizada. As sementes são mantidas em câmara fria a 5ºC, com 25% de umidade, o que garante sua sobrevivência por longos períodos. "É um patrimônio nacional, que garante o desenvolvimento de melhores cultivares e torna o Brasil mais produtivo", explica Fernandes.

Foto: Lebna Landgraf/Embrapa Soja
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Novacki negocia ampliação do mercado do Japão para o agronegócio brasileiro

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, se reuniu com autoridades do governo do Japão, esta semana, em Tóquio, para tratar de assuntos de interesse do agronegócio brasileiro.

Com a vice-ministra da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, Noriko Furuya, e com o vice-ministro da Agricultura, Floresta e Pesca para Assuntos Internacionais, Hiromichi Matsushima, ele deu andamento às negociações para abrir aquele mercado à carne termoprocessada do Brasil, ampliar as exportações de frutas e reduzir tarifas de alguns produtos, como o café. Os japoneses querem vender carne bovina da raça Wagyu para o Brasil.

Novacki também estabeleceu parceria entre o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Agência Japonesa de Meteorologia, uma das mais avançadas do mundo. O objetivo é qualificar ainda mais o Inmet – órgão do Mapa –, a fim que possa prestar serviços meteorológicos capazes de contribuir com os produtores brasileiros na tomada de decisões na atividade agropecuária.

Foto: Divulgação/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
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Pesquisadores avaliam mortalidade de abelhas no Brasil


 Apicultores brasileiros têm registrado perdas de abelhas em suas colmeias nos últimos anos. Especialmente nos estados de São Paulo e Santa Catarina, houve casos de enfraquecimento, declínio e colapso das colônias. Resultados das ocorrências analisadas indicaram que a mortalidade não estava associada a patógenos (organismos causadores de doenças) ou a parasitas. 


Somente dois casos apresentaram características semelhantes à síndrome Distúrbio do Colapso das Colônias, conhecida pela sigla em inglês "CCD", problema que preocupa os Estados Unidos e países europeus. Ainda assim, em ambos os casos brasileiros não foram definidas as causas.

As informações foram compiladas no artigo "Enfraquecimento e perda de colônias de abelhas no Brasil: há casos de CCD?", publicado na edição temática da Revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), de maio de 2016. 

O trabalho reuniu pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), Embrapa Meio Norte (PI), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) e Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). 

O objetivo foi compilar alguns dos estudos mais relevantes relacionados às possíveis causas de perda e enfraquecimento de colônias da abelha-europeia (Apis mellifera) e também de espécies de abelhas nativas do País.

O mundo inteiro tem registrado o desaparecimento crescente de colônias de abelhas, especialmente da abelha-europeia, espécie mais utilizada para a polinização de plantas cultivadas, que se adapta facilmente a diferentes ecossistemas, formas de manejo e é generalista na busca de recursos. Com outros insetos e animais, as abelhas têm responsabilidade direta no aumento da produtividade agrícola, pois cerca de 70% das plantas utilizadas no consumo humano dependem de polinização.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires, especialista em ecologia de pragas e primeira autora do artigo, o desaparecimento de abelhas no mundo é resultado de diversos problemas, entre os quais destacam-se o uso de agrotóxicos; a perda dos habitats em decorrência dos diversos usos da terra; patógenos e parasitas que atacam as colônias e as mudanças climáticas.

No Brasil, conforme explica Carmen, a situação não é diferente e a perda de colônias aponta para os mesmos problemas enfrentados em países da Europa e nos EUA, locais em que a CCD já foi comprovada. Para reverter esse quadro, o artigo recomenda como urgente a criação de programas de levantamento sistemático de sanidade apícola associada a avaliações dos impactos de fragmentação dos habitats e das práticas agrícolas, especialmente a aplicação de agrotóxicos, sobre as comunidades de abelhas.

Pesquisas desenvolvidas na Europa e EUA geraram um volume considerável de informações sobre as ameaças bióticas (relações ecológicas dentro de um ecossistema) e abióticas (fatores ambientais que influenciam os seres vivos) à saúde das abelhas. Importantes avanços científicos, obtidos principalmente a partir de ferramentas moleculares, indicam que é impossível associar o colapso a um único fator.

Impactos econômicos no Brasil
Segundo dados reunidos no artigo da Revista PAB, das 141 espécies de plantas cultivadas no Brasil para uso na alimentação humana, produção animal, biodiesel e fibras, aproximadamente 60%, ou seja, 85 espécies dependem da polinização animal. Estima-se que o valor econômico da polinização feita por insetos, principalmente abelhas, corresponda a 9,5% da produção agrícola mundial. Além disso, a produção de mel no Brasil movimenta mais de 300 milhões de reais por ano. Por esses dados, é possível prever o quanto um colapso nas populações de abelhas poderia causar de prejuízos ao País.

Entre os sintomas da CCD, destacam-se a rápida perda de abelhas operárias, evidenciada pelo enfraquecimento ou morte da colônia com excesso de crias em comparação ao número de abelhas adultas; ausência de crias e de abelhas adultas mortas dentro e fora das colmeias. Outra característica do distúrbio é a inexistência de indícios de pragas, como traças, por exemplo, o que indicaria uma invasão imediata da colmeia.

Não existe no País um sistema de monitoramento das colônias nos apiários e no ambiente natural. O autores apontam para a necessidade premente de estudos que ampliem e aprofundem as avaliações entre as possíveis causas de mortes das abelhas em todas as fases de seu desenvolvimento.

Foram observadas mortes de abelhas em áreas próximas às lavouras submetidas à aplicação de agrotóxicos, mas também em locais completamente afastados. Segundo os autores dessa revisão, esse fato pode indicar que além dos efeitos diretos dos produtos químicos nesses insetos, pode haver interação com patógenos na natureza.

No Brasil, existem cerca de 1.700 espécies de abelhas, entre as quais, muitas que podem atuar como polinizadoras em 89% da flora nativa. De acordo com os autores, uma das soluções para atenuar esse problema é ampliar as observações sobre a suscetibilidade das abelhas nativas aos diferentes produtos usados hoje na agricultura brasileira.

Existe no Brasil apenas um laboratório especializado, localizado na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) em São Paulo que não consegue atender à demanda nacional. O ideal é, pelo menos, um laboratório por região.

Somam-se a essas questões, o alto custo das análises laboratoriais de resíduos e o fato de a apicultura não ser, na maioria dos casos, a atividade principal do produtor.

Uma das soluções apontadas pelo estudo é a formação de uma rede de laboratórios que deem suporte aos levantamentos epidemiológicos. Os pesquisadores recomendam a criação de um sistema de monitoramento efetivo das colônias nos apiários e nos ambientes naturais. Não há no Brasil um cadastro amplo e organizado de apicultores e meliponicultores. 

Há algumas iniciativas isoladas de profissionais de defesa agropecuária e produtores, mas sem uniformização, o que inviabiliza a comunicação entre eles. "Sem o conhecimento efetivo de produtores e colônias no Brasil, não é possível mensurar a magnitude das perdas e nem associá-las de forma segura à CCD ou a outros colapsos", constata Carmen.

Portanto, a principal recomendação dos cientistas é realizar avaliações mais amplas da sanidade apícola em todo o território nacional, levando em conta o efeito dos princípios ativos que compõem os defensivos químicos em condições de campo, semi-campo e, principalmente, avaliações a longo prazo. Pesquisadores sugerem como saída viável para financiamento desses estudos, a criação de um fundo nacional fomentado pela iniciativa privada e gerido por agências públicas de pesquisa.

Atualmente, os resultados obtidos são fruto de ensaios em laboratório, que representam avanços de conhecimento e podem balizar decisões governamentais, mas que precisam contar com avaliações complementares feitas em condições de campo e semi-campo.

Apesar de não confirmar a ocorrência da CCD no Brasil, o estudo deixa claro que o risco é iminente porque muitos dos fatores associados ao colapso são encontrados hoje no País. Para os autores, a situação no Brasil é bastante preocupante. Cerca de um terço do território nacional já foi modificado, o que levou à perda de grandes áreas de vegetação natural. Somado a isso, possíveis impactos da fragmentação de habitats sobre as comunidades de abelhas não têm sido devidamente avaliados.

Foto: Fabiano Bastos/Divulgação
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Soja e milho, âncoras da agricultura brasileira

Soja e milho foram as lavouras que mais impulsionaram a agricultura brasileira em 2015. Entre os municípios, o líder foi São Desidério, no oeste baiano, com crescimento de 23,2% no valor da produção, que chegou a R$ 2,8 bilhões no ano passado, graças principalmente à cultura de algodão.

A segunda posição ficou com Sorriso (MT), maior produtor nacional de soja e milho, com faturamento bruto da atividade rural estimado em R$ 2,5 bi.

As informações constam de estudo divulgado nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O trabalho é baseado na pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2015, feita anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão avaliou 63 culturas, 34 das quais tiveram aumento na quantidade produzida e 29 apresentaram queda.

Em 2015, a área plantada com lavouras temporárias e permanentes (grãos, frutas, café, cacau, cana-de-açúcar) foi de 76,8 milhões de hectares, 567 mil hectares a mais que em 2014. A safra de soja, segundo o IBGE, chegou a 97,5 mi de toneladas (aumento de 12,3% na comparação com a anterior). A colheita de milho alcançou 85,3 mi t (acréscimo de 6,8%). Soja, milho, cana e café ocuparam 60,2% da terra cultiva.

“O ano passado foi de recorde de produção no Brasil”, diz o coordenador-geral de Estudos e Análises da SPA, José Gasques. Pelos cálculos do IBGE, apenas a colheita de grãos totalizou 209,7 mi t. Já os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma safra de 207,8 mi t em 2015. Os municípios que mais se destacaram na atividade agrícola são de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Produtividade
De acordo com Gasques, os municípios que aparecem nas 20 primeiras posições do ranking nacional, em diferentes culturas, também estão à frente em produtividade. O rendimento médio das lavouras de milho, por exemplo, foi de 5.536 kg/ha. Em Jataí (GO), a média foi de 7.274 kg/ha; em Sorriso, 6.600 kg/ha; e em Montividiu (GO), 7.811 kg/ha. “Ou seja, todos bem acima da média da produtividade do país”, reforçou.

Situação semelhante ocorreu com a cultura de feijão, cuja produtividade média nacional alcançou 1.079 kg/ha em 2015. Em Água Fria (GO), o rendimento médio chegou a 2.289 kg/ha; em Paranapanema (SP), 3.360 kg/ha; em Capão Bonito (SP), 3.500 kg/ha; em Luziânia, 2.800 kg/ha, e em Cristalina, 2.491 kg/ha.

Gasques destaca ainda que os 20 maiores municípios em produção de soja foram responsáveis por 17,8% do valor bruto da produção (VBP) em 2015. Na cadeia do milho, os municípios que ocupam até a vigésima posição no ranking nacional produziram 19% do VBP do grão. Esse percentual foi de 25% no feijão e de 77% no algodão. 

Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo
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Presidente do IBGE pede apoio do Mapa para realização do censo agropecuário 2017

O censo agropecuário 2017 foi o tema da reunião do ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) com o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Paulo Rabello de Castro, na última quarta-feira (5). Durante a audiência, foi discutida a importância da coleta de dados para transformar as estatísticas do IBGE em planejamento para a agropecuária.

Realizado a cada cinco anos, o último censo agropecuário ocorreu entre 2006 e 2007, juntamente com o censo demográfico. O presidente do IBGE destacou a importância do levantamento, que também é feito em países como Estados Unidos, Austrália e Canadá, e pediu apoio ao ministro para garantir recursos para o censo. 

“A realização de um censo é uma verdadeira operação de guerra. São necessários mais de 82 mil funcionários temporários”, disse Rabello.

Blairo Maggi reconheceu a necessidade da atualização dos dados para os programas de apoio aos produtores e se comprometeu em ajudar.  A partir do censo agrícola, é possível detectar problemas de conservação e preservação ambiental; áreas de conflitos; inventariar as riquezas agrícolas do país; saber o número de empregos gerados pelo setor e projetar a infraestrutura para o escoamento da produção.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Foto: Mapa/Divulgação
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Pesquisa desenvolve pimentas mais picantes para fabricação de molhos

Pesquisadores da área de melhoramento genético desenvolveram as primeiras cultivares nacionais de pimenta-habanero, espécie originária do México, que além de ser bem picante possui alto teor de vitamina C. Chamadas de BRS Juruti e BRS Nandaia, as cultivares foram desenvolvidas por cientistas da Embrapa Hortaliças (DF). 

O continente americano é o centro de origem das pimentas do gênero Capsicum, do qual a pimenta-habanero faz parte assim como pimentas de origem brasileira como a malagueta e a dedo-de-moça.

Destinadas ao processamento, as cultivares de polinização aberta apresentam elevada pungência, característica relacionada à substância capsaicina, examinada pela escala de Scoville, que mede em Unidades de Calor (SHU) o grau de ardência das pimentas. Os frutos de BRS Nandaia e BRS Juruti são muito picantes e atingem, respectivamente, cerca de 200.000 SHU e 260.000 SHU. Para fazer uma comparação, a pimenta-dedo-de-moça pode alcançar, no máximo, 90.000 SHU e a malagueta por volta de 160.000 SHU.

O alto teor de ardência é a característica que torna essas cultivares uma opção para fabricação de molhos e pastas (mash) de pimenta. "Além disso, elas são mais adaptadas às condições de cultivo do Brasil Central, que é a região onde se concentra a maior parte das indústrias", contextualiza a pesquisadora Cláudia Ribeiro, da Embrapa Hortaliças, ao comentar que os molhos são produzidos a partir de misturas, ou blends, de diferentes tipos de pimenta. 

"O tipo jalapeño possui polpa espessa e bom rendimento, mas pungência média, por isso, fazer uma combinação com a pimenta-habanero garante maior picância para o molho", explica.



A principal diferença entre as novas cultivares é a coloração: a BRS Juruti mantém o usual vermelho das pimentas e a BRS Nandaia chama a atenção pelo tom alaranjado. Segundo a pesquisadora, a proposta é apresentar uma vantagem competitiva, já que atualmente há nichos de mercado consolidados para molhos de pimenta com tonalidades variadas.

No campo, a uniformidade no plantio e a resistência a doenças asseguram o interesse dos setores produtivo e industrial, enquanto, do outro lado, a aptidão também para o mercado de frutos frescos e o alto teor de vitamina C são pontos de destaque para os consumidores. "As informações sobre o valor nutricional são diferenciais que agregam valor ao produto", pondera Cláudia, ao ressaltar que as novas cultivares do tipo habanero possuem por volta de 120 mg de vitamina C por 100 gramas de fruto, duas vezes mais o que se encontra na mesma porção de laranja ou kiwi.

Setor industrial pauta melhoramento genético
Valorizadas pela versatilidade culinária e ornamental, as pimentas do gênero Capsicum (em grego, kapso significa picar ou arder) dividem-se em 30 espécies entre silvestres e domesticadas. A grande diversidade de tipos de pimenta é um desafio para o programa de melhoramento genético, que deve considerar as demandas dos produtores, geralmente de base familiar, e da indústria processadora, ao mesmo tempo em que observa os nichos e as oportunidades do mercado.

Características agronômicas como resistência a pragas e doenças, produtividade, rendimento dos frutos e uniformidade lideram as solicitações dos setores produtivo e industrial. "No Brasil, o consumo fresco ainda é muito baixo, por isso, as demandas dos agricultores são pautadas basicamente na oferta de uma matéria-prima de qualidade com foco no processamento industrial", analisa Cláudia, ao destacar que 80% dos recursos de pesquisa são alocados no atendimento às demandas da cadeia produtiva, enquanto 20% é investido em novas oportunidades de mercado como as pimentas de diversos formatos, cores, aromas e sabores.

A busca por materiais precoces também tem norteado a pesquisa com pimentas do gênero Capsicum, principalmente em tempos de alterações climáticas que implicam em modificações no calendário de plantio. Assim como as demais espécies da família das solanáceas, como berinjela e tomate, as pimentas precisam de temperatura e umidade, mas não em excesso, para se desenvolver.

Contudo, chuvas no mês de transplantio das mudas adiam o preparo das áreas e comprometem o período da colheita. "Se o agricultor dispõe de um material precoce, fica mais fácil flexibilizar o calendário de plantio para que a primeira colheita não coincida com os períodos chuvosos. Dependendo do planejamento, é possível contar com dois plantios em um único ano", explica a pesquisadora.

Cultivares de destaque no mercado
Ao longo de mais de três décadas do programa de melhoramento genético de Capsicum, alguns materiais impressionaram e foram amplamente adotados pela cadeia produtiva. Esse é o caso da cultivar BRS Sarakura, pimenta do tipo jalapeño que foi desenvolvida em parceria com a empresa Sakura-Nakaya, que responde por mais da metade dos molhos de pimenta comercializados no País.

Com frutos grandes e boa espessura de polpa, a cultivar é adequada para o processamento. "Nesse caso, mesmo trabalhando com a indústria, sabemos que o resultado da pesquisa foi para a melhoria de renda dos produtores. O material foi muito bem aceito e, desde que foi disponibilizado, tem sido plantado anualmente", conta Cláudia.

Dentro do segmento dedo-de-moça, a pimenta BRS Mari ocupa uma fatia importante do mercado. De acordo com a pesquisadora, além de rústica e produtiva, ela apresenta alto grau de picância e, por isso, quando em flocos desidratados, resulta em uma pimenta calabresa de alta qualidade. 

Enquanto alguns consumidores têm preferência por frutos ardidos, há aqueles que valorizam o aroma e o sabor, mas dispensam qualquer pungência. "A pimenta BRS Moema, do tipo biquinho, é uma boa opção para esses consumidores, tanto para o consumo fresco quanto para o processamento de conservas e geleias", pontua, ao destacar que, no Brasil, há preferências regionais que devem ser consideradas na hora de a pesquisa disponibilizar novos tipos de pimenta.

Outro material de destaque que compõe o portfólio de cultivares de pimentas lançadas pela Embrapa é a BRS Brasilândia, recomendada para processamento na forma de páprica, um pó de coloração vermelha obtido pela moagem de frutos desidratados e utilizado pela indústria alimentícia como corante.

Condimento muito consumido em todo o mundo, o mercado global de pimentas e pimentões desidratados é estimado em 500 mil toneladas ou cerca de nove bilhões de dólares. Segundo a pesquisadora, esse também foi o primeiro híbrido lançado no País para produção de páprica e, se antes era preciso cinco quilos de fruto fresco para atingir um quilo de páprica, com a BRS Brasilândia a proporção caiu de 3,7 para um.

A arca das pimentas
Além do desenvolvimento de cultivares, as pesquisas visam à preservação do material genético e da variabilidade dos tipos de pimenta a partir de um banco de germoplasma (BAG) que armazena materiais coletados em diferentes locais do Brasil e do mundo.

Na Embrapa Hortaliças, o banco ativo de germoplasma (BAG) foi criado na década de 1980 e, desde 1997, fica sob a curadoria da analista de P&D Sabrina de Carvalho. Ela explica que as coletas e os intercâmbios, bem como a conservação de sementes no BAG para utilização em programas de melhoramento genético, são medidas fundamentais para explorar a variabilidade genética das pimentas em prol do desenvolvimento de novas cultivares que somem aspectos interessantes para a cadeia produtiva.

"Com base na caracterização dos materiais conservados a partir de informações sobre aspectos dos frutos e das plantas, mas também de dados sobre composição nutricional e resistência a doenças, é possível sinalizar os materiais com maior potencial para o melhoramento genético", esclarece Sabrina, ao comentar que após  a multiplicação desses materiais em condições controladas, as sementes obtidas são armazenadas em câmaras frias para a conservação em médio e longo prazos.

Além desse trabalho de pré-melhoramento, a manutenção e caracterização dos materiais coletados contribui para manter a diversidade e a pureza genética das espécies de pimenta. No ano 2000, por exemplo, foi identificada uma pimenta-biquinho, no Triângulo Mineiro, que não possuía qualquer grau de pungência. Entretanto, ao analisar o material, foi observado que ele estava segregando e ficando ardido.

Isso acontecia porque os produtores cultivavam vários tipos de pimentas em uma mesma área e, em virtude da ação do vento e de insetos, aconteciam cruzamentos no campo que estavam resultando na perda das características da pimenta. Nesse caso, foi possível resgatar o material genético original para assegurar os frutos sem ardor. "Quando um material começa a se diferenciar e perder características de interesse é possível voltar ao banco de germoplasma para recuperar o material original", exemplifica.

Pimenta além-mar
Ingrediente certo na cozinha mexicana, as pimentas do gênero Capsicum também ganharam destaque na culinária de outros países como Índia, Tailândia e Coreia. Isso foi possível porque, na ocasião do descobrimento da América, as espécies cruzaram o oceano Atlântico a bordo de navios dos exploradores europeus que ficaram encantados com o potencial da pimenta como condimento.

Por volta do século XVI, o cultivo já havia se propagado pela Ásia e pela África e, hoje, mais de 500 anos depois, a pimenta faz essa mesma rota, mas, dessa vez, no âmbito de projetos de cooperação técnica da plataforma MarketPlace de Inovação Agropecuária.

"Estão vigentes parcerias com Togo e Uganda para testarmos a adaptação de cultivares nesses países, com o propósito de aumentar a variabilidade genética e a resistência a doenças enfrentadas pelos produtores africanos", comenta Cláudia, que também aponta a necessidade de agregar valor às pimentas para melhoria de renda dos pequenos produtores e em atendimento às demandas dos mercados regionais desses países.

Os projetos também pretendem promover o uso de cultivares brasileiras de Capsicum para fortalecer a cadeia produtiva local do ponto de vista da produtividade e da qualidade da semente para os próximos plantios. "A ideia é construir uma abordagem participativa entre técnicos e agricultores para promover a sustentabilidade do setor e treinar esses profissionais para o aperfeiçoamento do sistema de produção da cultura", assinala, ao comentar que a cooperação técnica será desenvolvida até setembro do próximo ano.

Foto: Ana Carolina Evangelista
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Caminhos para a sustentabilidade

Melhoria nos hábitos de consumo e práticas de produção e comercialização mais eficientes são fundamentais para fazer mais com menos no campo

Texto e fotos: Paulo Palma Beraldo

A cada 10 quilos de alimentos produzidos no mundo, três vão para o lixo. Os números são da Organização das Nações Unidas (ONU). Enquanto isso, 795 milhões de pessoas – ou quatro vezes a população do Brasil – passam fome diariamente em diversas regiões do planeta. A importância desses números cresce quando as perspectivas apontam para um mundo com nove bilhões de habitantes em 2050 – dois bilhões a mais que a quantia atual.

Quando se fala no aumento populacional ena produção de alimentos, o termo mais usado é ‘segurança alimentar’. O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Walter Belik, pesquisa o tema há pelo menos 20 anos e explica que ele engloba quatro dimensões, indo além do conceito de fome ou de subnutrição.

A primeira é a disponibilidade, relacionada à quantidade de alimentos. Depois, vem o acesso, que é a possibilidade das pessoas terem esses alimentos.  Em países conflituosos ou em períodos de guerra, essa dimensão fica abalada. O terceiro aspecto é a qualidade do alimento. E o quarto é a estabilidade: deve haver oferta de alimentos permanente.

 Em outras palavras: existe alimento, em alguma parte do planeta, mas ele não chega até 795 milhões de pessoas, seja por falta de renda ou de acesso. “Precisamos de políticas globais para aumentar a produção e o acesso nas regiões onde há fome crônica. Certas populações ficam isoladas e não têm acesso físico aos alimentos”, diz Walter Belik.

Nos últimos 10 anos, o Brasil reduziu pela metade a parcela da população que sofre com a fome. Hoje em dia, menos de 5% da população brasileira sofrem com a insegurança alimentar, algo em torno de sete milhões de pessoas. Agora o desafio é outro. “Precisamos de uma política voltada para a qualidade. As pessoas têm acesso ao alimento. Mas que alimento? Diminuímos a subnutrição, mas aumentou a obesidade”, questiona Belik.
Desperdício de recursos naturais
Segundo Belik, antes de aumentar a produção é necessário rever alguns hábitos alimentares. Produtos como carne, milho e soja demandam muita água para serem produzidos, explica o pesquisador. “Não é só aumentar a produção. Temos que racionalizá-la. A crise hídrica em São Paulo demonstra isso. Cada produto desperdiçado é um pouco de água que perdemos”, diz o pesquisador da Unicamp.


Antônio Gomes Soares, pesquisador da área de frutas e hortaliças da Embrapa Agroindústria de Alimentos, defende a redução das perdas como forma de aumentar a oferta de produtos e a conservação dos recursos ambientais. “O que é gasto para produzir no campo, colher, transportar e comercializar produtos que sequer chegam à mesa é muito alto. Estamos desperdiçando dinheiro, tempo e recursos naturais. E jogando no lixo produtos que trazem beneficio à saúde”, argumenta.

Vale diferenciar os conceitos de desperdício e perda: O primeiro diz respeito à falta de planejamento ou consciência do consumidor. “Você vai ao mercado, compra algo fora do prazo de validade, que não vai consumir. Ou acaba comprando demais e descarta”, explica Walter Belik. A perda refere-se à comercialização, distribuição e transporte, sendo involuntária. “Armazenamento e manuseio inadequado dos produtos, falta de embalagens seguras, variações de preços e quedas no transporte são algumas causas”. A comercialização de produtos a granel, por exemplo, que são aqueles sem embalagem, colocados uns por cima dos outros, contribui para as perdas.

O transporte também não ajuda. Segundo Belik, há produções que poderiam ser feitas regionalmente. “Acredito que no futuro haverá núcleos de produção que possam abastecer mercados locais. Mas isso não se faz espontaneamente. É preciso ter políticas de apoio à comercialização local, centrais de compras, mecanismos de distribuição”.

O não uso da refrigeração é apontado como um problema grave, principalmente em um país de dimensões continentais como o Brasil. “Costumam dizer que usar a cadeia de frio é caro. Mas não percebem que a quantidade de produto jogada fora é tão grande que faz com que o não uso da refrigeração encareça o produto”, diz Antônio Soares.

A cadeia de comercialização se esquiva do problema, porque repassa o prejuízo. “Quem perde é o consumidor que paga muito mais caro e o produtor que muitas vezes não recebe pelo que produziu”, explica. Os consumidores também têm sua culpa, argumenta Soares, lembrando que muitos apertam demais os produtos nos mercados, chegando a estragá-los. “Muitas vezes antes de comprar um quiabo, a pessoa quebra a ponta dele para ver se está bom. Outra pessoa vem e vê esse quiabo com a ponta quebrada. Não vai querer comprar”.

Ainda sobre os mercados, Soares explica que há descuido com os produtos. “Muitas vezes jogam um por cima do outro. Despejam a caixa inteira na gôndola, as frutas caem no chão. Isso demonstra uma ineficiência geral”. Ou ainda os casos em que há produto contaminado embalado em meio a outros saudáveis. “Quando você vai ver a embalagem, ele está com fungo. Aquele produto contaminou os outros”.



As caixas de madeira, usadas maioria dos produtos, são citadas pelo pesquisador da Embrapa. Segundo ele, esse material perfura e “machuca” o produto. “É preciso desenvolver embalagens especificas e realizar treinamento do pessoal envolvido na manipulação e movimentação das cargas e transporte. Não podemos tratar a fruta como se fosse tijolo”, resume Antônio Soares.

No campo
Um método vem ganhando destaque no cenário nacional quando se fala da racionalidade dos recursos naturais: a irrigação por gotejamento. Surgida nos desertos de Israel, essa irrigação exige economia e eficiência: a aplicação de água ocorre direto nas raízes das plantas, atingido uma eficiência superior a 95%.

O custo de implantação da irrigação por gotejamento é maior, mas se dilui com o aumento da produtividade, na redução de mão de obra e no custo da energia que o gotejamento proporciona, garante Daniel Pedroso, diretor da Netafim, empresa que desenvolveu a tecnologia.

A estimativa de crescimento da irrigação no Brasil é “muito positiva, principalmente pelo aumento na procura de métodos mais eficientes de produção”, diz ele. O Brasil tem aproximadamente seis milhões de hectares irrigados, com possibilidade de chegar a 30 milhões.

No Paraná, a Campanha Plante Seu Futuro reduziu a aplicação de agrotóxicos pela metade em 152 propriedades de soja. A campanha, organizada pela Secretaria da Agricultura do Paraná, Embrapa Soja, Emater/PR e outras instituições, teve como foco a divulgação de informações e capacitação de produtores sobre temas como o monitoramento da lavoura e uso racional de insumos, buscando aplicar os agroquímicos somente na hora mais apropriada do cultivo, reduzindo o uso de agrotóxicos sem prejudicar a produção.

Eficiência
Com as mudanças climáticas e a escassez de recursos naturais, é preciso aproveitar ao máximo cada produto. Frutas como o côco verde e o caju eram pouco exploradas no passado. A casca do côco, que representa 85% de seu peso, era descartada e gerava problemas ambientais.

Do caju, o que interessava era a castanha. A parte comestível raramente chegava aos mercados, pois é bastante perecível. Hoje, a casca do côco serve para fazer vasos, tapetes e até acessórios automotivos. E o caju, com tecnologias de pós-colheita e embalagens mais resistentes, se tornou fruto de mesa em mercados distantes das plantações.

Essas duas mudanças ocorreram, em grande medida, graças a pesquisas da Embrapa Agroindústria Tropical, de Fortaleza-CE. “A maioria das cadeias produtivas de alimentos pode ser explorada com maior eficiência. A agroindústria constitui uma grande alternativa para a pequena e média produção local. Agroindústrias que processam matérias primas para fornecer às grandes empresas ou pequenos empreendimentos que cativam consumidores locais são exemplos”, afirma Lucas Leite, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical. 

Outras áreas com boas oportunidades são a de alimentos funcionais, cosméticos, corantes naturais e de medicamentos com princípios ativos naturais, cita Lucas Leite.

Em Curitiba-PR, cidade com 1,7 milhão de habitantes, um projeto encontrou uma forma de incentivar a produção local e aproveitar os produtos excedentes das safras da região Metropolitana. É o Câmbio Verde, que troca verduras e frutas por produtos recicláveis, como óleo de cozinha (vegetal ou animal). A cada quatro quilos de recicláveis, um quilo de alimento é dado. Dois litros de óleo também equivalem a 1 kg de alimento. No ano de 2013, foram recolhidas 3.109 toneladas de recicláveis com o programa, informa a secretaria do meio ambiente de Curitiba.

O Programa Câmbio Verde está em 100 pontos da capital paranaense. As trocas são quinzenais e os recursos para a compra dos alimentos vêm da secretaria, que os adquire de pequenos e médios produtores da Região Metropolitana da cidade.
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Produção brasileira de cana-de-açúcar é mais limpa do que se imaginava

O cultivo de cana-de-açúcar no Brasil impacta menos o meio ambiente do que se imaginava. Uma pesquisa apresentada no V Congresso Brasileiro de Gestão em Ciclo de Vida, realizado de 19 a 22 de setembro, em Fortaleza (CE), demonstrou que a produção da segunda mais importante commodity brasileira é mais limpa do que apontavam estudos internacionais.

A pesquisa utiliza a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida de Produtos (ACV), uma ferramenta que permite avaliar o desempenho ambiental de produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. Trata-se de uma metodologia com forte base científica e reconhecida internacionalmente, padronizada pela série de normas ISO 14040.

Em comparação com inventários de ACV de cana-de-açúcar anteriores, os pesquisadores brasileiros observaram menores impactos em categorias como ecotoxicidade terrestre e aquática, formação de oxidantes fotoquímicos (ou "névoa fotoquímica") e degradação da camada de ozônio. Esses impactos têm efeitos negativos na qualidade dos ecossistemas e na saúde humana.

 Os pesquisadores caracterizaram o sistema de produção de cana-de-açúcar de todas as regiões produtoras brasileiras e utilizaram para os cálculos de emissões as metodologias mais recentes com ajustes para a realidade local. O trabalho foi desenvolvido pelo projeto ACV cana, coordenado pela Embrapa, com a participação de vários parceiros, como o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

 A pesquisadora Marília Ieda da Silveira Folegatti Matsuura, da Embrapa Meio Ambiente (SP), responsável pela pesquisa, salienta que esse foi o primeiro estudo completo e regionalizado de ACV para a cultura. "Existem vários grupos brasileiros que abordam questões como eficiência energética e emissões de gases de efeito estufa, mas não avaliam outras categorias de impacto e nunca se adotou uma abordagem regional", salienta.

Os inventários de ACV de cana-de-açúcar brasileira existentes até o momento na maior base de dados internacional, a Ecoinvent, foram desenvolvidos no exterior por especialistas que não tiveram contato direto com a agricultura brasileira e utilizaram dados secundários disponíveis na literatura. Por este motivo, segundo a pesquisadora, os estudos não refletiam as especificidades da cultura canavieira brasileira.

O maior desafio dos pesquisadores brasileiros foi elaborar um inventário de ACV observando a atual realidade dos sistemas de produção praticados no País e, mais que isso, adaptar a metodologia à agricultura tropical. "Sempre que se faz um inventário, qualquer emissão para o meio ambiente é calculada por um modelo, mas esses modelos foram todos criados para países de clima temperado com realidade completamente diferente da nossa agricultura tropical", explica Marília.

Ela lembra que o inventário de cana-de-açúcar existente na Ecoinvent considerava que o Brasil ainda praticava a queima da cana na maior parte da área de produção no País, o que já não ocorre. "Conseguimos, de fato, definir as tecnologias de produção adotadas nas diferentes regiões do País, incluindo as práticas de colheita mecanizada ou manual, precedida por queima", diz. Esse aspecto apresenta repercussões em categorias de impactos que afetam a saúde humana, como emissão de material particulado, por exemplo.

Outra discrepância entre os estudos que utilizam os inventários da Ecoinvent e o realizado pela Embrapa refere-se à ecotoxicidade. Nos estudos derivados dos inventários já presentes na base consideravam o uso de pesticidas altamente tóxicos que já não são utilizados no Brasil.

Para realizar o projeto, os pesquisadores dividiram os estados produtores em nove regiões homogêneas, em função das condições de clima e solo. O Estado de São Paulo, que responde por metade da produção nacional, também foi subdividido em cinco regiões.

O projeto envolveu experimentação a campo e medição da emissão de gases de efeito estufa em condição experimental. Assim, os pesquisadores chegaram a fatores de emissão mais adequados que o padrão recomendado pelo Painel Intergovernamental para Mudança do Clima (IPCC), a referência mundial para estudos de mudanças climáticas. "A própria documentação do IPCC diz que, caso haja uma metodologia mais específica para o País, desde que consolidada e robusta, pode ser preferida ao padrão do IPCC. O projeto ACV Cana trabalhou exatamente com esta questão", salienta a pesquisadora.

Impacto dos pesticidas
Outro avanço obtido com o estudo foi a avaliação das emissões de pesticidas. A maioria dos grupos de pesquisa observa questões como desempenho energético e mudanças climáticas, mas ignora um conjunto de categorias de impactos relacionados à toxicidade. "O emprego de pesticidas na cultura de cana era muito pouco estudado, porque os modelos para entender esse comportamento eram bastante complexos", conta a pesquisadora.

 Como solução, a equipe estabeleceu parceria com a Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) que desenvolveu um software específico para modelagem de pesticidas, o PestLCI. O pesquisador Robson Rolland Monticelli Barizon, da Embrapa Meio Ambiente, coordenou a pesquisa que resultou na parametrização do software para o Brasil.

Marília Folegatti explica que esse software modela o comportamento de pesticidas no meio ambiente, observando o que ocorre com a substância em diversas condições, pois frações de pesticidas podem alcançar diferentes compartimentos ambientais, como águas superficiais e subterrâneas e o solo. "Como você calcula essas frações? Esse modelo faz esse cálculo, baseado em informações sobre clima, solo, natureza química da molécula, todo um conjunto de informações que se não for adequado para a nossas condições não representará o que de fato acontece", explica.

Metodologia contribui para agricultura mais limpa
A ACV pode contribuir para a promoção de uma agricultura mais limpa e para a defesa dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional. A metodologia é empregada em vários países para a formulação de políticas públicas. Também é largamente utilizada pelo setor privado, no desenvolvimento de produtos e processos e de estratégias de negócios, bem como na comunicação sobre aspectos ambientais de produtos.

A intenção dos pesquisadores brasileiros é fornecer os inventários produzidos sobre cana-de-açúcar para o banco nacional de inventários de ciclo de vida (SICV Brasil) e para a Ecoinvent, ambos parceiros da Embrapa. "Se alguém quiser comparar o etanol de cana brasileiro com o etanol de milho americano, por exemplo, vai procurar inventários em bases de dados como essas. Isso é um apoio para a competitividade da nossa produção", explica Marília Folegatti.

De acordo com a especialista, a avaliação dos impactos da cana-de-açúcar era uma demanda importante e outros países já olhavam para a cana brasileira e estavam gerando pesquisas. "A cana brasileira, assim como a soja, são duas culturas extremamente visadas por conta da suposta competição entre biocombustíveis e alimentos". 

Marília esclarece que o estudo possibilita a identificação dos pontos críticos do processo de produção, indicando oportunidades de melhorias no desempenho ambiental.

Foto: Paulo Lanzetta
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Brasil e Uruguai fecham acordo para comércio de embriões bovinos in vitro

O Brasil e o Uruguai fecharam acordo para o comércio bilateral de embriões bovinos in vitro (fertilizados em laboratório). Na avaliação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), esse é mais um passo importante para a ampliação das exportações da genética bovina brasileira.

No mês passado, o Brasil assinou acordo com o mesmo objetivo com a Bolívia. Hoje, os embriões de bovinos brasileiros in vitro já são exportados para o Paraguai, Costa Rica, Botswana, Moçambique, República Dominicana e Etiópia. Esses mercados foram abertos de 2015 para cá.

De acordo com o Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, a ampliação das exportações de embriões de bovinos in vitro foi debatida durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Transferência de Embriões (SBTE), em agosto de 2014.

Naquela ocasião, representantes do Mapa, da SBTE e da Sociedade Internacional de Transferência de Embriões (IETS) se comprometeram a contribuir na discussão de acordos sanitários voltadas ao aumento do comércio internacional de embriões de bovinos in vitro.

O diagnóstico feito à época era o de que o estabelecimento de protocolos sanitários entre países para o comércio de embriões in vitro era incipiente em escola global. Isso ocorria principalmente por causa da falta de conhecimento científico para balizar a fixação de requisitos sanitários pelos serviços veterinários oficiais, o que era necessário para possibilitar as exportações de genética bovina com a preservação da saúde dos rebanhos.

Por isso, segundo o DSA, foi firmado o compromisso para superar esse desafio, com objetivo de atender a grande demanda do mercado externo pela genética bovina brasileira por meio da compra de embriões em vitro.

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Banana para fazer chips é boa opção para agricultor familiar

Resistente às principais doenças da bananeira e apropriada para processamento de petiscos do tipo chips, a banana Pelipita pode ser uma ótima opção para incrementar a renda de pequenos produtores da região Norte. 

Há interesse da agroindústria local em produzir o petisco, mas ela não tem encontrado no campo produção suficiente do fruto. Essa oportunidade é apresentada pelo projeto Banana Pelipita: Alternativa para agricultores familiares do Estado do Amazonas na diversificação e agregação de valor na cadeia produtiva de plátanos para chips, liderado pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM) e cofinanciado pelo Banco da Amazônia.

A pesquisadora da Embrapa Mirza Carla Normando Pereira explica que o objetivo é mostrar que a banana Pelipita reúne qualidades superiores à banana Pacovan ou D'angola, apesar de sua aparência pouco atrativa, e que poderá atender à demanda da agroindústria para esse fim. 

Além da resistência às principais doenças da bananeira e da qualidade dos frutos, a Pelipita pode atingir produtividade entre 27 toneladas a 38,5 toneladas/ano; ou seja, pelo menos 50% superior à banana Pacovan ou D'angola, sempre que cultivada adequadamente. 

Os frutos apresentam vantagens em relação aos da banana D'angola ou Pacovan, tais como 650% mais fibra e 625% menos gordura na polpa, o que lhes confere melhor digestibilidade e maior rendimento industrial, quando empregados na fabricação de farinha e banana chips.

Apesar de apresentar essa série de vantagens, a Pelipita não caiu no gosto dos produtores amazonenses, devido à aparência semelhante à banana Sapo, uma espécie que apresenta casca escura. Mas, por outro lado, possui outras vantagens em relação à banana Pacovan: é rica em fibras e quando frita apresenta maior crocância, não encharca, tem coloração alaranjada e sabor muito próximo ao da Pacovan. 

Essas qualidades fazem com que ela seja apropriada para produção um pouco mais sofisticada: a de bananas chips, e pode ser exportada nesse formato que agrega valor e pode incrementar a renda do pequeno produtor.

Desenvolvida em 2004 a partir de uma espécie peruana, a cultivar Pelipita foi fruto do trabalho de especialistas da Embrapa Amazônia Ocidental e Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA). O intuito foi apresentar uma alternativa à banana Pacovan, muito suscetível às doenças sigatoka-negra, sigatoka-amarela e mal-do-panamá. Assim como a Pacovan, a Pelipita é apropriada para ser consumida na forma cozida ou frita e compor pratos como mingaus ou doces.

Interesse da indústria
Como a banana não despertou interesse dos produtores, a pesquisadora da Embrapa decidiu sair a campo. "A ideia surgiu porque é difícil aceitar que uma banana tão boa não tenha recebido aceitação pelo mercado consumidor", explica Mirza. Ela conta que procurou uma agroindústria de Manaus, que produz bananas fritas do tipo chips, realizou testes e constatou que a banana é de excelente qualidade, crocante, de cor alaranjada, sem diferença no gosto,  além de ser muito macia e saborosa. 

"O proprietário da agroindústria disse que a banana tem o mesmo potencial para exportação que a batata chip", conta a pesquisadora. No entanto, o empresário não encontrou produção suficiente da banana para atender sua demanda. "Por essa razão, estamos incentivando os produtores locais a plantar a Pelipita e a oferer ao mercado", explica.

Entre as ações, estão programados estudos de mercado sobre a cadeia produtiva da banana em Manaus. O projeto prevê a criação de lavouras de Pelipita em área de agricultores familiares e a avaliação da produção agroindustrial de chips com indicadores como rendimento frutos/chips e tempo de prateleira da banana processada. 

O trabalho envolverá ainda a realização de testes de degustação sensorial comparativo entre Pacovan e Pelipita com o público consumidor e avaliação econômica financeira do sistema de produção da cultivar e da comparação da fabricação dos chips entre os dois tipos de banana.

Resposta à sigatoka-negra
O interesse das pesquisas da Embrapa em buscar alternativas à Pacovan, uma variedade de banana longa, muito apreciada na culinária da região Norte, deve-se ao fato de que essa variedade de banana é suscetível à sigatoka-negra, doença causada pelo fungo Micosphaerella fijiensis, que dizima bananais no Brasil há 18 anos.

A partir da constatação da ocorrência da doença sigatoka-negra no Estado do Amazonas, em 1998, a produção das cultivares de banana tradicionais Prata e Maçã e dos plátanos D`Angola e banana-da-Ttrra, conhecidas localmente como Pacovan e Pacovi, respectivamente, foi reduzida drasticamente devido à suscetibilidade ao fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet, que acarreta prejuízo de até 100% de produção dessas cultivares.

Como estratégia de controle a essa doença, vem sendo dada ênfase ao plantio de cultivares resistentes, por ser principalmente mais econômica e ambientalmente correta, evitando o uso de defensivos agrícolas na cadeia trófica. "Isso se torna mais importante quando a produção de banana ocorre em regiões ou bananais com baixa adoção de tecnologias e próximos a lagos e mananciais, como na região Amazônica", explica a pesquisadora.

Várias cultivares resistente à sigatoka-negra foram lançadas ou recomendadas pela Embrapa. Para substituir as cultivares do grupo Prata e Maçã já existem onze cultivares disponíveis que vem sendo cultivadas em várias regiões do País.

Atualmente, no Amazonas, a cultivar do plátano Pacovan, denominada em outros estados como D`Angola, vem sendo, preferencialmente, cultivada e utilizada na produção de banana chips, mingaus, bolos, farinha entre outros produtos. Além de não ser resistente à sigatoka-negra, o cultivo é realizado por agricultores familiares com baixo nível tecnológico. 

Aliado a isso, os solos de terra firme onde a Pacovan é cultivada apresentam baixa fertilidade e elevada acidez que, associados à falta ou uso inadequado de fertilizantes e corretivos durante o ciclo da planta, levam à baixa produtividade dos bananais.

Banana chips
Uma importante característica desejável na produção de alimentos desidratados, nos quais é incluída a batata chips, mandioca chips, banana chips, entre outros, é a crocância, e a textura é o atributo sensorial que mais influencia na qualidade dos produtos processados.

Conforme Mirza, na cultivar Pelipita, o teor de umidade, menor que o da cultivar Pacovan, torna ainda mais interessante seu uso como alternativa ao agronegócio da produção de chips de banana no Amazonas. O teor de umidade obtido na farinha dessa cultivar é de 9,58%, enquanto da tradicional Pacovan é 10,10%.

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