Variedades de cebola buscam aumentar o consumo no País

Paulo Palma Beraldo
Fotos: Valter Rodrigues/Embrapa

SÃO PAULO - O consumo de cebola dos brasileiros, na casa dos 7 quilos por pessoa por ano, tem tudo para aumentar. Isso porque indústria, restaurantes e consumidores têm adotado práticas para transformar a cebola não só em tempero, como é normalmente usada, mas como um alimento. 

Em agosto, começou a ser colhida em São Paulo a maior safra da cebola Dulciana, variedade lançada pela multinacional alemã Bayer. A novidade, alcançada após mais de 20 anos de pesquisa, é um legume com menos enxofre que as cebolas originais, evitando a irritação e as lágrimas. É a "cebola que não faz chorar". 


O pesquisador Valter Rodrigues, especialista no segmento de cebolas da Embrapa Hortaliças (DF), comenta que quando o legume é cortado, há uma reação química que libera compostos voláteis que irritam a mucosa do olho, o que explica o choro. 

Para ele, a novidade é bem-vinda, já que pode aumentar o consumo no País. "Em 2002, mina proposta de trabalho foi o melhoramento para as cebolas suaves/doces. Mas como era um mercado incerto, a Embrapa optou por continuar na linha das cebolas tradicionais", relata. 

Valter Rodrigues diz ainda que medidas que estimulem o consumo de hortaliças é importante, especialmente entre os brasileiros, que consomem pouco. 



O produtor Edmílson Torres, de Casa Nova (BA), plantou cerca de 50 hectares de cebola nesta safra. A maior parte foi da nova variedade. Outros produtores seguiram o mesmo rumo, conta ele. O interesse dos compradores está grande. “Os mercados do Rio, de Recife, de Fortaleza e de outras regiões estavam me procurando desde antes da colheita”, conta.

Roxa. Um mercado em crescimento nos últimos anos é o da cebola roxa, variedade difundida em países da América Latina como o Peru, mas não tanto no Brasil. O mercado de restaurantes tem preferido essa variedade porque ela permite dar uma coloração diferenciada ao prato. 

A chef do restaurante La Peruana, de São Paulo, Marisabel Woodman, comenta que no Peru a cebola roxa é até mais usada que a branca. Lá, ela é mais barata e quase todos os pratos a levam. "Aqui, usamos a cebola roxa para ter um produto um pouco mais parecido com o de lá", explica. 

Valter Rodrigues, da Embrapa, estima que pouco menos de 5% do mercado brasileiro é de cebola roxa, mas vê crescimento. O produtor rural Sidimar Mengali, de Casa Branca (SP), começou a plantar a variedade nesta safra. "Muita gente tem pedido, principalmente o pessoal das redes de lanchonete, fast food. É um diferencial", comenta ele, que plantou 40 hectares. 

Sua região, no entorno de São José do Rio Pardo, é uma das principais produtoras do Estado de São Paulo. "Vários amigos começaram a colocar a cebola roxa porque é um diferencial. Eu plantei 5% da área". 
Números. A produção de cebolas do Brasil é de 1,5 milhão de toneladas por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os Estados que concentram a maior produção são Santa Catarina, Bahia, São Paulo e Minas Gerais. A área plantada em 2015 foi de 57.923 hectares, divididos por 14 Estados. 



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