Produtor desenvolve aplicativo para auxiliar na gestão da propriedade leiteira

Paulo Palma Beraldo

Há 10 anos, o empresário Cláudio Notini vendeu sua participação em uma companhia e decidiu dar uma guinada na sua vida: iniciar a produção de leite.  

Ao perceber as dificuldades do trabalho do dia a dia, resolveu criar um aplicativo para tentar solucionar algumas delas. 

Para entender mais dessa história, o De Olho no Campo fala hoje com Cláudio Notini, que desenvolveu o 4milk, aplicativo que visa facilitar a gestão do rebanho leiteiro. O produto ajuda nas áreas de reprodução, produção e também sanidade dos animais. Permite até comprar e vender animais. 

Com o aplicativo, é possível agendar tarefas da lida diária e colocar alertas para lembretes de atividades importantes. 


E se houver um problema com o celular, para onde vão as informações? Os dados da propriedade vão para a 'nuvem', ou seja, podem ser acessados pela conta de cada usuário de outros dispositivos, como um computador. Planilhas de softwares como o Excel podem ser enviadas para o app. E o aplicativo pode ser executado sem o uso da Internet. 

O aplicativo tem feito sucesso desde seu lançamento, em junho deste ano. Tanto que internacionalizar o produto já está nos planos. Os primeiros alvos serão os países da América Latina, seguidos de Estados Unidos e Europa, conta Cláudio. 

Quais foram as principais dificuldades enfrentadas no processo de desenvolvimento do aplicativo?
No nosso caso, não estamos enfrentando nenhuma dificuldade nessa fase de desenvolvimento. 

Além de idealizador do projeto, sou também o principal investidor. Agora estamos na fase de busca de apoios, que não seja somente investidor financeiro, mas um parceiro que agregue em busca de posicionar o produto em um número grande de propriedades no Brasil e no mundo. 



Como é desenvolver um aplicativo no Brasil? Existem incentivos governamentais?
Se existem, são de pequeno porte. Mas há muitas aceleradoras que preparam essas startups para apresentação a investidores. Nós estamos participando de um desses projetos, que é a Biostartup Lab, na qual as empresas classificadas apresentarão em outubro o projeto a investidores. É um programa no qual já fomos classificados nas duas primeiras etapas e agora estamos na final. São todos projetos direcionados para ciências da vida.

E a busca por parceiros privados? Como foi o processo de obtenção de R$ 1,5 milhão de reais para investimento?
Estamos no momento trabalhando as grandes parcerias para ampliar a participação de mercado do aplicativo, fazendo a informação chegar aos produtores, já que o 4milk é gratuito. 

O investimento é nosso. Há 10 anos vendi uma empresa na qual tinha participação societária, a RM Sistemas, para me tornar pecuarista de leite. Fiquei apaixonado pela área e resolvi criar o 4milk com um novo modelo de negócio, porém gratuito, para os produtores.

Qual o objetivo a curto prazo da empresa?
Se tornar um aplicativo popular de gestão de rebanho de leite de uso diário pelos produtores de todo o Brasil, fazendo a aproximação de toda a cadeia do leite no Brasil e promovendo negócios entre produtores.

E a longo prazo?

Construir parcerias sólidas, provocando uma grande transformação na vida dos produtores de leite de todo Brasil. Como é uma ferramenta de uso diário, teremos a oportunidade de promover essa grande ruptura do modelo atual que penaliza e amarra os produtores a um modelo antigo e desconectado do atual mundo digital. 

A ideia pode ser adaptada para outros sistemas produtivos? Bovinocultura de corte? Suinocultura, ovinocultura?
Sim, pode. O próximo da lista será o 4meat, voltado para gado de corte. 

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