Investimentos em infraestrutura logística ainda são de alto risco

Correta precificação entre capital a ser investido e retorno é o principal obstáculo a ser superado a fim de estimular o interesse privado por novas concessões


Apesar de alguns investimentos e obras nos últimos anos – especialmente dedicados a melhorar o escoamento da safra de grãos pela região Norte -, a deficiente infraestrutura logística ainda permanece sendo um grande gargalo à competitividade do agronegócio brasileiro. 

Este foi o principal recado transmitido pelos debatedores do Fórum Estadão-Abag, realizado nesta terça-feira (04), em São Paulo (SP), como evento integrante do Congresso Brasileiro do Agronegócio. A correta precificação entre investimento e retorno foi citado como o principal obstáculo a ser superado para estimular o interesse privado por novas concessões de projetos de infraestrutura logística.

Segundo Renato Pavan, consultor da Macrologística, recursos existem, o que faltam são projetos viáveis. De acordo com Afondo Mamede, presidente da Sobratema, um cenário de financiamento mais restritivo por parte do BNDES é outro fator que também dificulta uma nova rodada de investimentos nos programas de concessões do governo federal destinados a novos projetos de infraestrutura logística. 

“Será necessário também atrair novos players da iniciativa privada, porque os tradicionais estão limitados”, disse o dirigente numa nítida alusão às empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato.

Na opinião de Mamede, o certo é que os projetos “greenfields”, ou seja, de novas rodovias, terão pedágios mais caros, já que o volume de tráfego será menor. “No entanto, o quadro de concessões rodoviárias está mais avançado do que o das ferrovias, onde o modelo ainda é incerto”, ressaltou. Para Pavan, novas ferrovias só são viáveis financeiramente se transportarem mais do que grãos. “Apenas com soja e milho não se paga a conta.” 

No tocante aos portos, o presidente da Sobratema destacou o desafio de o que ele chamou na prática de “processo de 'reconcessão' dos terminais portuários”. “Alguns grupos específicos são contra a nova lei dos portos, em razão, de conflitos de interesse”, salientou, sem citar nomes. Pavan lembrou, ainda, o grave problema de armazenagem do País. 

“Nos Estados Unidos, 60% da safra é armazenada dentro das fazendas, por aqui este volume só chega a 15% da produção.”

Foto: Abag/Divulgação

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