Regional: reunião em Fernão estuda possibilidade de venda de polpas de maracujá para merenda escolar de Bauru

Texto e fotos: Paulo Palma Beraldo

Discutir a possibilidade de agricultores de Fernão produzirem e entregarem polpas de maracujá para comercializar com a merenda escolar de escolas da cidade de Bauru. 

Esse foi o objetivo do evento que contou com a presença do prefeito local, Altemar  Canelada, com representantes da ETEC de Cabrália Paulista, da Prefeitura e de membros da Casa da Agricultura da cidade, além de 30 produtores interessados. 

O professor Aloísio Costa Sampaio, docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP), abriu a reunião agradecendo a presença de todos e dizendo que o importante é “ter segurança na hora de assumir projetos como o da cooperativa”. 

Segundo ele, a finalidade da reunião era encontrar soluções e alternativas para viabilizar a produção de maracujá por uma futura cooperativa e sua entrega para a merenda escolar da cidade de Bauru, que conta com 94 escolas e consumiria 2000kgs de polpa de maracujá por semana. 

Foi citada ainda a possibilidade de se processar outras frutas no futuro e aumentar o mercado, como para lanchonetes, cafés e outros estabelecimentos.  

Outro dos presentes foi o engenheiro Paulo Mazo, proprietário do Sítio Tupã, que conta com 600 pés de maracujá. Paulo apresentou um estudo de logística com os custos do transporte de maracujá, para apresentar a viabilidade da venda da merenda escolar e qual o preço seria necessário ser pago ao produtor para haver lucro. 

Custos
A cidade foi dividida em cinco regiões, cada uma com um número de escolas determinado pela proximidade. Então, foram analisados a quilometragem percorrida e o tempo necessário para entregar os produtos. Fixou o tempo mínimo de 10 minutos por escola. 

O cálculo foi de 30 horas semanais para fazer isso. A distância total semanal percorrida seria de 709km por semana e 2800km/mês.  O custo de combustível, estipulado em 1,90 o litro.  

Foi avaliado também o custo da refeição de um funcionário para fazer esse transporte, avaliado em 12 reais por dia, totalizando 240 reais por mês. O salário do profissional foi estimado em 1115 reais.  

Para isso ser viável, cada caixa de polpa de 12 kg deveria ser vendida por 35 reais, sendo o custo de produção/caixa por 9,70 reais. Essa constância seria positiva, argumentou Paulo, já que em certas épocas a caixa é vendida a até 10 reais. Ressaltou ainda que é necessário ter apoio e comprometimento de todos. 


Antônio Carlos Barros, professor da ETEC de Cabrália Paulista lembra que a instituição conta com uma máquina que pode produzir as polpas para os produtores, de modo a estimular e gerar pesquisas e conhecimentos também para os alunos. A escola oferece cursos de informática, química, açúcar e álcool e futuramente agroindústria. “Na escola, o aluno tem que ser capacitado para o mercado de trabalho”, explica. 

Engajamento
José Aparecido Soares, diretor de desenvolvimento agropecuário de Garça-SP e representante da cooperativa Sustengar, de Garça-SP, que conta com 56 cooperados, reforçou a importância do engajamento de cada um dos produtores. “Sem liderança, a cooperativa não anda. E é preciso muita responsabilidade, para não deixar tudo na mão de uma pessoa só”. 

Falou ainda sobre os processos de abertura de uma cooperativa, suas dificuldades, projetos e um pouco da história, relatando a importância de se vender para programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. 

Afirmou ainda que os programas do governo são uma grande oportunidade para os agricultores familiares ganharem dinheiro, já que existe um preço fixo, não estando sujeito às flutuações do preço do mercado. 

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