“O Instituto Federal Goiano tem um papel social muito importante” – Entrevista com Virgílio Erthal, pró-reitor de Ensino da instituição

Buscando levar ensino de qualidade para o interior do Estado, instituto é referência em Goiás e atrai alunos de outros estados para seus cursos técnicos, de graduação e pós-graduação

Entrevista: Paulo Palma Beraldo
Foto: Divulgação/Assessoria IF Goiano

O De Olho no Campo conversou com Virgílio Erthal, pró-reitor de Ensino do Instituto Federal Goiano para entender um pouco mais sobre o trabalho do instituto, seus objetivos, ações e trajetória.

O IF Goiano tem nove mil alunos em modalidade presencial divididos por doze cidades. São elas: Campos Belos, Catalão, Ceres, Cristalina, Hidrolândia, Ipameri, Iporá, Morrinhos, Posse, Rio Verde, Trindade e Urutaí.

A função do instituto, criado em 2008 por lei federal em todos os estados, é levar educação profissional ao interior do país e possibilidade de formação superior para pessoas que antes não poderiam estudar sem deixar suas cidades.

O Brasil conta com 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia.  Várias de suas unidades são fruto da integração com centros de educação anteriormente existentes.

A ideia é oferecer a possibilidade de uma pessoa entrar como técnico, fazer o curso superior e eventualmente mestrado e doutorado, caso tenha interesse. Em Goiás, são sete cursos de mestrado e um doutorado. “Muitos fazem o técnico, a graduação, o mestrado e doutorado em ciências agrárias. Já tivemos casos assim”, diz.

Graduação
Na área de graduação, o processo seletivo oferta cerca de 1500 vagas. Desde 2014, o IF abandonou o vestibular próprio para usar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para selecionar seus alunos. Segundo Erthal, isso aumenta a possibilidade de pessoas que fizeram o ENEM há dois ou três anos de ingressar na instituição.

“Nós tínhamos dois trabalhos, duas despesas. Elaborar uma prova demanda professores para produzi-la, aplicá-la. Tem toda uma logística que é bastante cara. Então, adotar o ENEM facilitou nesse quesito também”, diz.

Para avaliar a mudança no perfil dos alunos com a adoção do ENEM, Virgílio comenta que seria necessário um estudo mais aprofundado, porém adianta que a percepção é que, apesar de a maioria ser da região, já há aqueles que cruzam as fronteiras de seus estados para estudar em Goiás. Virgílio conta também que alguns chegam com dificuldades em temas como matemática e na área de linguagens.

“Temos que criar sistemas de atendimento ao aluno, na formação básica. Mas isso não é uma experiência só nossa. Vendo outros depoimentos, é uma constatação em nível nacional. O próprio governo está preocupado. Não é questão financeira. É dificuldade de acompanhamento e aprendizagem. Na questão financeira, de atendimento socioeconômico, até existem programas de bolsas de permanência, que ajudam, mas a questão não é essa”.

O IF Goiano também atua pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “Já qualificamos mais de 10 mil alunos. São cursos de duração mais curta, de 160 a 200 horas”, comenta.
 
Cursos técnicos
São 35 cursos técnicos, mas o de agropecuária é o “carro-chefe”, diz Virgílio. Das 12 unidades, apenas uma não oferece curso técnico para a área agrícola. Em geral, são alunos com origem familiar do campo, desde pequenos proprietários, agricultores familiares e assentados da reforma agrária.

É possível fazer o Ensino Médio e o curso técnico na area agrícola ao mesmo tempo.
“Há também os cursos técnicos para quem já está cursando o Ensino Médio, tanto no período noturno como diurno. A duração é de três anos. 
Para quem já parou de estudar e quer voltar a fazer um curso técnico, as portas também estão abertas”.

O IF atua também com o PROEJA, voltado para a educação profissional de adultos e jovens acima de 18 anos que ainda não concluíram o Ensino Médio.

Dos nove mil alunos, metade está nos cursos técnicos. A outra parte, dividida em cursos de licenciatura e pós-graduação. Em relação aos cursos de pós-graduação, o IF Goiano oferece mestrados acadêmicos em Agroquímica, Agronomia e Zootecnia (Câmpus Rio Verde).

Há mestrados profissionais em Irrigação no Cerrado (Câmpus Ceres), Proteção de Plantas (Câmpus Urutaí), Olericultura (Câmpus Morrinhos) e Tecnologia em Alimentos (Câmpus Rio Verde). O doutorado em Agronomia (Câmpus Rio Verde) é o primeiro oferecido por um Instituto Federal no país e no interior do Estado de Goiás. Para pós-graduação, são 80 a 100 vagas divididas.

Quais os critérios para ingressar na pós-graduação?
O desenvolvimento da pesquisa tem que estar ligado às ciências agrárias. O processo seletivo depende da proposta do pré-projeto que o aluno vai desenvolver. Essa proposta é avaliada por uma comissão do próprio programa.

Depois, há uma entrevista para apresentar esse pré-projeto. Isso é levado em conta e também cartas de apresentação, histórico escolar.

Qual perfil de aluno o IF Goiano busca para os cursos de pós-graduação?
Procuramos um candidato que tenha capacidade de aprender e desenvolver um projeto de pesquisa. A maioria dos nossos mestrados é profissional. Mas temos acadêmicos também.

O diferencial da nossa pós-graduação é que a pesquisa deve ser a mais aplicada possível. Tem que ser adequada às demandas do setor produtivo. Então, o candidato tem que se capacitar e desenvolver uma pesquisa com esse foco.

Como funciona a educação a distância no instituto?
Há cerca de sete mil alunos em cursos de educação a distância. Existe um programa chamado ETEC Brasil que financia o pagamento de professores, materiais didáticos, produção de vídeo aula. É um programa à parte da estrutura normal.

Uma vez por semana o aluno deve ir ao pólo de ensino mais próximo. Há uma plataforma virtual de aprendizagem e ali é possível tirar dúvidas, assistir aulas e palestras.

E esse é um caminho sem volta. Em nossos cursos regulares, já podemos ofertar até 20% da carga horária de forma não presencial. Estamos nos desenvolvendo para melhorar as videoaulas. As maiores universidades do mundo têm esses programas a distância. O aluno se organiza no seu tempo e no seu momento.  

Consolidação
Virgílio relata que o instituto está em crescimento nos últimos anos, com melhorias na estrutura e no quadro de funcionários. “Aumentamos o número de vagas ofertadas e a rede como um todo tem contratado muitos servidores, técnicos, construímos novas salas de aula”.

E diz que o próximo passo é consolidar a estrutura alcançada até o momento. “É uma instituição que tem um papel social muito importante, porque tem uma parcela da população muito grande que talvez não teria oportunidade de chegar no ensino técnico ou na pós graduação. O instituto foi feito para atingir uma parte da população que não teria acesso ao ensino superior”.

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