Estrangeiros visitam Agrishow em busca de novos negócios

Cada vez mais, Brasil é visto como uma grande oportunidade de negócios

Texto, fotos e vídeo: Paulo Palma Beraldo

Entre botasr e calças jeans, alguns personagens destoavam na poeira da 22ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow. Vestindo ternos alinhados e sapatos brilhantes, centenas de estrangeiros fizeram parte dos 150 mil visitantes da feira realizada em Ribeirão Preto-SP entre o fim de abril e início de maio. Expositores, visitantes, empresários e jornalistas dos cinco continentes prestigiaram o evento.  

Bastava andar alguns metros após a entrada principal da Agrishow para ver o Pavilhão Italiano. O que as empresas italianas procuram na maior feira de agronegócios do Brasil? Quem explica é Santa Lamorgese, representante do Instituto Nacional para o Comércio Exterior (ICE, na sigla em italiano). 

“Organizamos essa participação coletiva para fazer com que o maior número possível de empresas italianas possa se internacionalizar e crescer também para fora da Itália”. É uma forma de fazer com que as indústrias gastem menos para se expandir do que se participassem dos eventos de uma maneira autônoma, explica Lamorgese.

Além do ICE, a Federação Nacional dos Construtores de Máquinas para a Agricultura, a FederUnacoma, apoia os italianos em eventos no exterior. Na Agrishow, as empresas daquele país já participam há 17 anos. Há ainda atividades para auxiliar na abertura de mercados em países onde o setor de máquinas agrícolas é forte, como Rússia, Irã, China e Coréia do Sul, sempre participando de eventos e feiras. 

Fabio Ricci, responsável pelo setor de mercado externo da FederUnacoma, comenta que, para os italianos, a Agrishow é o evento de agronegócios mais importante do Brasil. “Já estamos trabalhando para a próxima edição. Queremos ampliar nossa participação na feira, que nesse ano contou com 20 empresas”.  


Andrea Padiglione, funcionário de uma empresa italiana que vem à Agrishow desde os anos 1990, diz que o Brasil é um país estratégico para os investimentos. “É um dos poucos países no mundo que tem um pouco de tudo: terra, trabalho, clima e tecnologia. Tem potencialidades enormes”, diz.
Padiglione pondera que o Brasil tem necessidade de reequilibrar sua economia e aprimorar a justiça social. “Existem os muito ricos e os muitíssimo pobres. É necessário ampliar a classe média. Mas vejo que nos últimos anos isso está sendo feito. Vi uma transformação importante no país”, destaca.

Massimiliano Pasini (primeira foto) é representante de outra das 20 empresas italianas que vieram apoiadas pelo governo italiano. “A agricultura aqui está se desenvolvendo muito. Nosso objetivo é entrar no mercado brasileiro”, afirma. Ele se sentiu satisfeito com a recepção dos brasileiros e gostou da organização da feira. “As pessoas foram agradáveis, sempre sorridentes. É algo que na Itália vejo raramente. Somos um pouco mais estressados”, brinca ele. 

Pujança
Venceslao Soligo é correspondente de uma agência de notícias italiana e repórter da revista La Gazetta Italo-Brasiliana. O italiano fez a cobertura da Agrishow pela terceira vez e diz que a feira é muito representativa no mercado agrícola e industrial brasileiro, por todo seu dinamismo.

“Acredito que deveria ser até mais potencializada pelo governo federal para se tornar um marco internacional de peso”. Venceslao comenta que o Brasil é “um país imenso e de uma pujança extraordinária, o que lhe dá uma responsabilidade mundial muito grande”.

Dares Kittiyopas, presidente da Sociedade de Engenharia
Agrícola da Tailândia
E é de olho nesse potencial que Dares Kittiyopas viajou mais de 24 horas dentro de uma aeronave. A presidente da Sociedade de Engenharia Agrícola da Tailândia saiu de Bangkok, capital do país, em busca de máquinas agrícolas voltadas para o setor da cana-de-açúcar. 

“Nós somos o terceiro produtor de cana-de-açúcar no mundo. Queremos aumentar a mecanização na Tailândia e ver novas máquinas interessantes”.


O mundo inteiro olha para cá

É com empolgação que o indiano Avdhesh Mathur, presidente de uma multinacional do ramo de fertilizantes, fala sobre o agronegócio brasileiro. “Hoje o mundo inteiro olha para a agricultura brasileira, que está crescendo muito, e tem máquinas de alta tecnologia. O país exporta muitos produtos agropecuários como café, cana-de-açúcar e soja”, diz. 

O queniano Fergus Robley é diretor de uma empresa 
que representa marcas de equipamentos agrícolas como Massey Ferguson, Baldan, Nogueira e Jacto no leste do continente africano. Ele conta que visitou a Agrishow porque o maquinário nacional é muito adequado para aquela região. “As máquinas brasileiras são resistentes, bem construídas e muito adequadas para as qualificações que temos no continente africano”, afirma.

Rodada
O Brasil também auxilia as empresas nacionais a encontrar parceiros no comércio internacional. É o caso do Programa Brasil Machinery Solutions (BMS). Fruto de uma parceria da Agênciade Promoção de Exportação e Investimento (Apex Brasil) com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, Abimaq, o programa busca auxiliar as empresas brasileiras no processo de exportação e abertura de novos mercados no ambiente internacional, como explica a analista do programa BMS Tábata Silva.

Uma das ações do BMS é a Rodada Internacional de Negócios, realizada durante a Agrishow pela 16ª vez em 2015. “Estiveram presentes oito países, sendo eles Brasil, Argélia, Bélgica, Canadá, Egito, Estados Unidos, Filipinas, Tailândia. Durante dois dias, foram realizadas cerca de 300 reuniões de 30 minutos cada uma e participaram 30 empresas fabricantes nacionais do setor de máquinas e equipamentos dentro do ambiente agrícola”, relata Tábata Silva. Em 2015, a rodada gerou 17 milhões de dólares em negociações.



Tamanho das máquinas impressionou estrangeiros

Uma dessas empresas foi a Stara, com sede em Não-Me-Toque-RS, fabricante de pulverizadores, plantadeiras e demais equipamentos agrícolas, que vende seus produtos para mais de 35 países. Segundo Felipe Willers, gerente de exportação da Stara, a empresa participa da rodada há sete anos, destacando que é uma oportunidade de conhecer um possível cliente do exterior.


“Fazemos um contato, podemos trazê-lo (o cliente) para nosso estande e mostrar nossa linha de produtos. Ele pode ver a qualidade do nosso produto na ‘vida real’, como solda, acabamento etc. Tínhamos expectativas boas e mais uma vez elas foram atendidas, já que empresas fortes do mercado externo se interessaram pelos nossos produtos”, diz Felipe, que conversou com compradores do Canadá e Estados Unidos, mercados onde a Stara ainda não está presente.


Segundo ele, o lado bom da rodada é sua agilidade, já que em uma semana é possível avançar muito. “A rodada encurta vários passos da negociação, principalmente quando se fala de mercado externo. Se a pessoa ficar realmente interessada, e já fizemos isso várias vezes, podemos até convidar o cliente para conhecer nossa fábrica lá no Sul”, resume.

América Latina

O jornalista Sergio Resquin vive em Assunção, capital do Paraguai. Lá, trabalha em um jornal e em um programa de TV. Ele diz que a Agrishow é bem grande em comparação com as feiras do Paraguai. “Me agradou que várias empresas tiveram boas apresentações de seus produtos e houve grande investimento nos estandes. Foi uma experiência estupenda participar da Agrishow”.

O zootecnista colombiano Alvaro Restrepo é organizador de um programa de excursões pelo mundo desde 1992. Só para o Brasil, já veio 19 vezes. Conhece desde a Amazônia até regiões do nordeste semiárido. Já visitou a Agrishow doze vezes. “Impressiona o tamanho, como a feira cresceu”. Esse ano, Alvaro trouxe um grupo de dezessete venezuelanos e cinco colombianos, interessados em conhecer de perto a agropecuária dos estados de São Paulo e Minas Gerais.


Zootecnista  e pecuarista Alvaro Restrepo, da Colômbia. 
Avanço tecnológico
Surpresa é a palavra usada pelo pecuarista venezuelano Carlos Rumbos, do grupo de Restrepo, para definir o que encontrou na feira.

“Me surpreende o avanço tecnológico do Brasil no ramo das máquinas para o campo. Vi equipamentos feitos com uma grande tecnologia e muito adaptados aos trópicos, altamente resistentes”. 


Rumbos se interessou principalmente pelos equipamentos para a pecuária, como as ordenhadeiras mecânicas (máquinas para tirar leite).

Alvaro Restrepo comenta que a oferta de máquinas agrícolas de grande porte, como tratores, plantadeiras e colheitadeiras são para uma agricultura de grande escala, empresarial, o que mostra o crescimento do Brasil em oferta de alimentos.  “Para mim, o Brasil é o país nos trópicos com maior capacidade de projetar-se e crescer no que é: o maior produtor de carne do mundo e um dos grandes produtores de alimentos”, diz Restrepo.

“A Agrishow esclareceu um ponto para mim: a economia empresarial brasileira está em seu ponto de progresso mais importante. O país pode ter problemas políticos, mas todos nós também temos. Vocês têm que estar muito orgulhosos de um país como esse”, declara Alvaro Restrepo. 


Texto disponível também em inglês

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