Manejo integrado de pragas recebe incentivos

O estabelecimento de parcerias com empresas das iniciativas pública e privada poderá aproximar ainda mais os produtores rurais de tecnologias sustentáveis desenvolvidas pela Embrapa. 

No final do último ano, o acervo de técnicas que compõem o MIP (Manejo Integrado de Pragas) despertou o interesse de instituições para o desenvolvimento de bioprodutos à base de dois inseticidas naturais – o Bt e o baculovírus.

A bactéria Bt, de Bacillus thuringiensis, produz uma toxina específica para larvas de alguns insetos. O Bt, como bactéria, é utilizado para o controle de pragas em diversas culturas, sem causar problemas aos produtores, aos consumidores ou ao ambiente. 

No caso do milho Bt, disponível comercialmente hoje no Brasil, utilizaram-se toxinas com maior especificidade para os lepidópteros-praga (lagartas).

Já o baculovírus, inseticida biológico em pó desenvolvido pela Embrapa, é inofensivo à saúde humana e ao ambiente, além de ser acessível aos pequenos produtores. A Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) desenvolveu o produto a partir de um vírus específico que existe na natureza e que age sobre a lagarta, podendo ser usado com segurança por qualquer agricultor.

Segundo o pesquisador Fernando Valicente, o baculovírus destaca-se por apresentar alta eficiência no controle da lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas do milho, pois age de modo específico, preservando outros insetos na lavoura, o que é importante para a manutenção da biodiversidade do ecossistema. 

O bioinseticida contamina a lagarta quando ela ingere as folhas da planta sobre as quais foi aplicado previamente. A lagarta morre em até oito dias após a ingestão do bioinseticida.

As empresas Ballagro Agrotecnologia, Vitae Rural Biotecnologia e Simbiose firmaram contratos de parceria com a Unidade da Embrapa para o desenvolvimento desses bioprodutos. 

Esses acordos são resultado da atuação da Embrapa Milho e Sorgo em uma de suas plataformas de pesquisa – Economia Verde – com foco no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a redução e/ou substituição de agroquímicos. “São conquistas estratégicas alcançadas pela Embrapa em 2014 na sua agenda de PD&I”, avalia o chefe-adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento Sidney Parentoni.

Nessa mesma linha, a Embrapa Milho e Sorgo tem investido também na assessoria e em projetos para instalação de biofábricas para a multiplicação de um minúsculo inseto, o Trichogramma. 

Essas vespinhas parasitam os ovos da mariposa da lagarta-do-cartucho antes da eclosão. Com isso, controlam a praga antes que sejam causados danos à cultura. As amostras da vespinha apresentam eficiência no controle dessa e de outras pragas, que atacam as lavouras de milho e outras culturas de grande importância econômica.

A Emater-RS e a Amipa (Associação Mineira dos Produtores de Algodão) têm contratos assinados com a instituição de pesquisa. Para 2015, segundo o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo Antônio Álvaro Corsetti Purcino, deverão ser assinados novos contratos, tornando as tecnologias mais acessíveis ao produtor rural. 

“Já estão em negociação parcerias com o IMA de Mato Grosso e com outras empresas da iniciativa privada”, adianta. O IMA-MT é o Instituto Mato-Grossense do Algodão, que tem como foco o melhoramento genético dessa cultura.

Foto: Embrapa Milho e Sorgo/Divulgação

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