Como funciona o portal Rural Centro? Entrevista com o editor, José Luiz Alves Neto

Site tem mais de 300 mil visitas mensais e se consolida como um dos principais veículos de comunicação do setor agropecuário

Paulo Palma Beraldo

A Rede Rural Centro foi fundada em no dia 07 de julho de 2007. Já completou sete anos. 

O portal é parceiro de Economia e Agronegócios do UOL desde 2012. 

Para entender mais sobre a rotina e o que há por trás do Rural Centro, o entrevistado do dia é o jornalista José Luiz Alves Neto. 

José Luiz sempre se interessou por agropecuária. Nasceu em 1988 e aos seis anos de idade morava em uma chácara em Campo Grande-MS. 

Daí comecei a pegar gosto pelas coisas do campo. Embora não fôssemos produtores rurais, a rotina era similar à de um. Acordar com galo cantando, se beneficiar com ar limpo (nossa chácara deveria ter 85% de área preservada), tratar alguns animais da própria chácara sem fins comerciais, como galinha, cachorro, pato, cuidar de horta e pomar. 

O tempo passou. O vestibular chegou e jornalismo foi a escolha. Começou a trabalhar no Canal do Boi e depois foi para o Rural Centro. A partir das viagens feitas, percebeu que se dedicar definitivamente ao agronegócio era a escolha mais acertada. 

- Conheci os trabalhadores, braçais e estratégicos, que fazem rodar a engrenagem do principal setor da nossa economia e entendi a complexidade e a importância da missão que eles têm. 

Como e quando você passou a trabalhar na área de Jornalismo Rural? Já se interessava pelo tema ou foi uma oportunidade que apareceu?

Bom, em resumo, quando estava prestes a prestar vestibular, quase decidido a fazer medicina veterinária, perguntei a mim o que mais gostava de fazer. A resposta foi... esportes! 

Embora eu gostasse muito de agronegócio, estava numa fase de querer ser jornalista esportivo, mas graças a Deus nunca tive a oportunidade de trabalhar com isso. Digo desta maneira porque hoje não me enxergo em outro setor que não o agronegócio.

Você saiu de uma TV (Canal do Boi) para ir para o Rural Centro. Como foi essa mudança?
A mudança foi bem natural. Embora eu tenha mudado o tipo de mídia que trabalhava, da televisiva para a eletrônica, eu tive a oportunidade de criar uma linha editorial que eu não havia visto ainda na comunicação rural, com uma linguagem positivista e prática. 

Isso, claro, com base em várias referências. Eu, que não fazia reportagens, mas sim era produtor, tive a chance de sair do escritório e hoje vou pessoalmente a várias das praças produtoras mais importantes. 

Foi quando percebi que ia me dedicar definitivamente ao agronegócio. Conheci os trabalhadores, braçais e estratégicos, que fazem rodar a engrenagem do principal setor da nossa economia e entendi a complexidade e a importância da missão que eles têm. 


Como é formada a equipe do Rural Centro? Quantas pessoas trabalham diariamente para que ele funcione? 
R: Hoje nós temos oito pessoas em nossa equipe ao todo. Na comunicação, sou o responsável pelo conteúdo do portal e pelas parcerias que nos trazem conteúdos exclusivos e relevantes para os produtores, todos em sintonia com nossa linha editorial.

O Rural Centro também organiza alguns eventos. De onde surgiu essa ideia? E qual sua opinião sobre ela? 
A ideia surgiu em 2012 e veio do diretor da Beef Tec, o médico veterinário Rodrigo Spengler, que buscava um parceiro forte para realizar um evento grande e específico sobre confinamento em MS, o que ainda não existia, mas que o mercado buscava. 

Então aceitamos o desafio, mesmo não sendo, de fato, o negócio da Rural Centro realizar eventos. De toda forma, a junção da Beef Tec, que é uma empresa de consultoria, com a Rural Centro, empresa de mídia, foi de uma complementariedade notória. 


Enquanto do lado de lá tínhamos suporte técnico e de relacionamento com os grandes players da pecuária sul-mato-grossense e nacional, do lado de cá nós pudemos pensar e executar uma estratégia pontual de comunicação e marketing. 

Estabelecemos não só um evento em si, mas uma marca forte, que é o CONFINAR. O lado mais interessante do simpósio é ver, nos dois dias de evento, a materialização do que acontece diariamente em nosso portal: encontro de pessoas que buscam cumprir seus objetivos através do estabelecimento de relacionamentos.

Existe um bom apelo publicitário para o agronegócio dentro do jornalismo online? 
Existe, sim. Quando entrei na empresa, em 2010, eu "debulhei" a pesquisa da ABMR&A, a Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócios, sobre hábitos de mídia dos produtores rurais. 

Enxerguei ali, para falar na nossa linguagem, a semente da comunicação rural eletrônica germinando. Julgo que nos preparamos bem e, desde aquela época, estabelecemos um domínio forte, relevante, o que é essencial para manutenção da competitividade na internet. 

Embora não seja essa a minha área de atuação específica, penso que hoje as agências de publicidade já estão assimilando melhor os conceitos da audiência online e sua mensuração, como visitas, visitantes, visualizações de páginas, engajamento, retorno sobre investimento. Isso ajuda a tornar palpável os resultados para seus clientes.


6 - Na sua opinião, quais os desafios a serem superados pelo jornalismo agropecuário? 
Penso que os produtores devem alinhar seus valores com os valores percebidos pelo consumidor final. Isso está começando a acontecer. Uma vez entrevistei um consultor de projetos, chamado Roberto Barcellos, que disse a mim que não existe produto ruim, existe produto desalinhado com a expectativa do consumidor. 

O produtor, quando perceber que com poucos ajustes pode alinhar-se à demanda, vai se beneficiar com agregação de valor (neste caso, preço mesmo) em seus produtos e ainda gozar de bom relacionamento com uma parcela cada vez menor da sociedade que insiste em dizer que agronegócio é insustentável. 



Este é o ponto da comunicação externa da cadeia produtiva que deve ser melhorado. Em relação à comunicação interna, acho que é um desafio fazer o produtor perceber que é irreversível o processo de diminuição da margem de seu negócio. 

Por isso são cada vez mais comuns publicações, eventos e demais ações com objetivo de tornar esse produtor um empresário, com gestão muito rigorosa de todo sua fábrica, que é a fazenda. Existem outras dificuldades e ajustes pontuais menores, mas penso que de forma geral e abrangente os desafios são esses.  

Como você enxerga a participação das redes sociais na interação e contribuição para o jornalismo, seja sugerindo temas a serem abordados, comentários? E também os aspectos negativos? 
O aspecto positivo das redes sociais é que elas são as mais poderosas ferramentas de alinhamento de conteúdo com o usuário. É bem mais simples para o jornalista acertar na mosca a abordagem de sua pauta para atender à demanda do produtor rural, por exemplo. 

O aspecto negativo penso que seja a banalização da apuração jornalística. Vejo vários canais, não necessariamente ligados ao agronegócio, abusando da interação, trazendo mensagens irrelevantes, com erros estapafúrdios de concordância e ortografia. 

Não sei se o público em geral tem o mesmo o sentimento que o meu, mas eu não penso que essa seja comunicação com credibilidade. Os veículos de comunicação deveriam filtrar melhor as postagens a serem divulgadas e usadas como fonte para privilegiar quem realmente tem algo a dizer.


E como você vê o futuro do jornalismo rural em tempos de Internet, já que metade dos brasileiros têm acesso a esse meio de comunicação? 
Confesso que penso mais no futuro do agronegócio do que no futuro do jornalismo, sabe? Creio que os diversos tipos de veículos vão passar a "conversar" mais, ou seja, aposta na multimídia. 

Isso já é bem comum nos grandes grupos de comunicação, mas na comunicação rural é um processo que está apenas começando, com alguns bons projetos em curso. Não creio, todavia, que algum tipo de mídia vá perder completamente espaço. Todas deverão se reinventar. 

Até a internet, que é a caçula, já está se adaptando aos dispositivos móveis. O jornalista também vai se adaptar a essas mudanças para entregar um bom produto ao seu consumidor, da mesma forma que falei sobre a relação produtores x consumidores em resposta anterior. 

Ainda não consigo projetar exatamente quais as mudanças, mas tenho por certo que o profissional da comunicação rural deverá ser mais dinâmico do que é hoje. E à medida em que o agronegócio crescer em relevância econômica e criar um vínculo harmônico com toda a sociedade, o jornalista que trabalha no setor deverá ter cada vez mais conhecimento específico.

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