Como surgiu a agência de notícias da Embrapa?

Paulo Palma Beraldo

Quando falamos de agência de notícias, lembramos das internacionais: Reuters, Bloomberg e a Agência Estado

Mas... 

Você sabia que a Embrapa tem uma agência de notícias? Ela surgiu com o objetivo de divulgar os estudos e pesquisas da Embrapa. A entrevista a seguir é com Jorge Menna Duarte, da Secretaria de Comunicação da Embrapa.

Ele e um grupo de jornalistas criaram a Agência Embrapa de Notícias, que, ao lado do programa Conexão Ciência e da Revista XXI, divulgam informações das pesquisas realizadas pela Embrapa. 

A agência recebe as reportagens das diversas unidades da Embrapa espalhadas pelo Brasil. 
Há mais de 200 profissionais de comunicação na empresa. 

E mais de 2.400 pesquisadores estudando temas desde os desafios da ovinocultura até a irrigação em plantações de cana-de-açúcar. 

A seguir você pode entender mais sobre essa iniciativa. 
De onde surgiu a ideia de criação da Agência Embrapa de Notícias?
A Agência Embrapa de Notícias, essencialmente, busca atender à demanda por conteúdo mais detalhado a respeito da produção científica da Embrapa. 

Para atender a esta necessidade e, sem prejuízo de atividades existentes, foi criado um novo processo interno de produção de conteúdo jornalístico sobre temas que interessem à sociedade e estejam relacionados ao papel e atuação da Empresa. 

Que função e objetivos o senhor atribui a ela? 
A função da Agência Embrapa é gerar conteúdo jornalístico completo, inédito, relevante e atraente para informar à sociedade em geral sobre programas, políticas, descobertas, inovações, pesquisas e ações relacionadas à Embrapa e seus parceiros. 

Assim, o objetivo da Agência Embrapa é, essencialmente, oferecer informação qualificada, de maneira a estimular o interesse, subsidiar o debate público, aumentar o conhecimento, o acesso e facilitar a compreensão sobre os assuntos relacionados à ciência e à tecnologia nos âmbitos de atuação da Embrapa e de seus parceiros.




O senhor conhece alguma iniciativa semelhante?
Existem agências bem-sucedidas de divulgação científica, mas cito o exemplo brasileiro da Agência Fapesp, que sempre é fonte de inspiração. 

Quais os próximos passos da Agência?
Fizemos um planejamento por etapas. Na primeira, que estamos encerrando, os jornalistas da Embrapa garantiram a regularidade da oferta de conteúdo na página. Agora, seguindo o planejado, vamos lançar um boletim.

Assim, um editor, por exemplo, pode se cadastrar e receber as informações imediatamente após sua disponibilização, sem necessidade de buscar na página. 

Também vamos buscar aperfeiçoar o conteúdo, utilizando mais frequentemente recursos como pequenos vídeos, entrevistas em podcasts, recursos de infográficos. 

É importante chamar a atenção para o fato de que a Agência se complementa com o programa Conexão Ciência – que oferece, semanalmente, entrevistas com alguns dos maiores cientistas brasileiros sobre temas relevantes – e a Revista XXI

A equipe está buscando articular Agência, Conexão e Revista XXI, de maneira a garantir ao interessado as informações mais completas sobre a ciência desenvolvida pela Embrapa − e também por outras instituições brasileiras de pesquisa. 

De que forma o senhor acredita que os profissionais de comunicação podem auxiliar para o desenvolvimento do setor agropecuário?
A comunicação é elo fundamental para a ampliação e disseminação dos êxitos da agricultura brasileira. Considerando comunicação não apenas como disseminação de informação, mas interação e troca de informações, devemos ser cada vez mais capazes de articular diferentes ferramentas para garantir o exercício da cidadania, o acesso aos serviços e ao conhecimento de interesse público. 

As ações de comunicação precisam utilizar canais diversificados e linguagens adaptadas às possibilidades dos interessados, de maneira a garantir o acesso fácil, o diálogo e a efetiva participação em todas as etapas. 

A Agência Embrapa de Notícias, nessa perspectiva, busca oferecer informação relevante, de maneira a permitir que seu acesso signifique maior conhecimento e uso das informações de pesquisa. 

O senhor acredita que as pessoas do setor, de uma maneira geral, entenderam o papel da comunicação dentro de um negócio?
Creio que há variados níveis de compreensão,mas, certamente,é perceptível a ampliação da consciência de que a comunicação é decisiva para o desenvolvimento social e do próprio negócio agrícola. 

Ela é necessária para o conhecimento do mercado, das inovações, do contexto em que os negócios se realizam e fundamental também para o diálogo entre os diferentes segmentos da sociedade. 

Como fazer para incorporar a cultura da comunicação dentro das empresas, em especial aquelas científicas?
É um desafio fundamental garantir a compreensão nas organizações de que comunicação não é apenas divulgação. Passa pela necessidade de “comunicar sobre comunicação”, mostrar seu papel de qualificadora dos processos internos, de identificação de tendências, oportunidades, de avaliação de contexto, sua capacidade de mudar a realidade, de integrar pessoas e instituições e de ajudar a organização a atingir seus objetivos. 

Todos fazem comunicação, mas os profissionais da área tem a responsabilidade de desenvolver uma comunicação estratégica, voltada para o atingimento de objetivos predeterminados, a partir de diagnóstico, planejamento e operações eficientes. 

E como fazer para que esse conhecimento saia das instituições de pesquisa de uma maneira clara e acessível para a maior parte das pessoas?
Creio que a etapa inicial é a conscientização sobre a importância do investimento em comunicação. Cada organização possui perfil específico, com necessidades, objetivos e metas próprias, mas todas têm necessidade de bem utilizar a comunicação. 

A comunicação tem a capacidade de integrar equipes, garantir o conhecimento de missão, objetivos e resultados, de fazer chegar aos interessados o que lhes afeta. Uma característica interessante da comunicação, entretanto, é que não existem soluções mágicas. 

Cada contexto exige soluções apropriadas, o que torna o processo instigante, desafiador e exigente,tanto do ponto de vista de conhecimento como de experiência e bom senso. Mas o ponto de partida, necessariamente, é tomar a decisão de utilizaras ferramentas e o processo de comunicação atuar a favor dos resultados organizacionais.

Na sua opinião, como a comunicação tem sido usada para desenvolver o agronegócio?
É difícil ter uma avaliação correta em um setor tão amplo, diverso e complexo, mas chama a atenção o papel dos porta-vozes. 

É muito importante que os representantes dos diferentes segmentos aproveitem todas as oportunidades para vir a público debater, explicar de maneira clara e objetiva as necessidades, os investimentos, os resultados do setor - mostrar suas características e impactos. 

O agronegócio brasileiro possui muitas lideranças relevantes e capazes de fazer esse papel, mas, no conjunto, talvez ainda estejamos sendo tímidos em dialogar com a sociedade. 

Existe alguma meta ainda não atingida pela Agência Embrapa? Qual? E como ela pode ser alcançada?
Estamos em uma etapa inicial e creio que o grupo de jornalistas da Embrapa está sendo bem-sucedido na criação das bases para a agência. 

Diria que a meta que desejamos priorizar agora é utilizar melhor o potencial da web para informar e dialogar com os interessados em informação sobre a ciência gerada pela Embrapa. 

Quanto ao conteúdo, queremos avançar no oferecimento de informações de interesse público mais detalhadas, com maior número de fontes, descrever contextos, aprofundar explicações, oferecer mais análise, interpretação,mostrar as inter-relações e o significado do que está ocorrendo, suas múltiplas conexões e impactos. 

Ou seja, nossa decisão é a de informar da melhor maneira possível o interessado em ciência e tecnologia geradas pela Embrapa e seus parceiros. 




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