Entrevista com Leandro Mittmann, editor de A Granja, a revista mais antiga do Brasil

De Olho no Campo conversa com o editor da revista mais antiga do Brasil, com quase 800 exemplares publicados nos últimos 69 anos

Paulo Palma Beraldo

O sotaque daquele jornalista não engana nem os mais desatentos: mora no Sul. Editor da mais antiga revista em circulação do Brasil, Leandro Mittmann já viajou por todo o país. 

Tem uma rotina corrida, com viagens frequentes. Na Agrishow 2014, tive o meu primeiro contato com ele. 

Com o boné vermelho e a camisa branca com os logotipos da revista A Granja, Leandro ia de um lado ao outro de uma das maiores feiras do Brasil. 

Sempre à procura de especialistas, agricultores e pesquisadores para preencher as páginas de uma das principais publicações do universo rural brasileiro. 

Tudo isso sem deixar de dar atenção aos jovens querendo entrar na profissão - como eu. Para executar seu trabalho, de editor da revista A Granja, já viajou por todo o Brasil. Raramente passa um mês sem deixar a capital gaúcha. 

- Meu trabalho me permitiu conhecer as grandes feiras do Brasil. Até uma feira grande na Alemanha, em Hannover, na Agritechnica. Estar no local é fundamental para conhecer o que acontece - aconselha. 

Leandro, que se formou em técnico agropecuário e posteriormente cursou jornalismo, conta que a decisão para entrar na profissão não foi difícil: 

- Desde criança eu gostava de informação, quando ainda morava no interior de Santa Catarina. Uma época que não tinha Internet, somente um canal de TV. Eu ficava sabendo das informações via rádio e revistas. Depois do segundo grau, chega aquela dúvida: qual curso fazer? Quando bateu na cabeça: jornalismo, não tive dúvidas. E já faz mais de 20 anos que estou na profissão. Comecei num jornal pequeno, semanal. E desde então nunca mais passei uma semana sem redigir alguma coisa ou longe da informação - recorda.

Leandro conhecia A Granja onde trabalha hoje desde os anos 1980. Entrou em contato os diretores, já que queria fazer uma reportagem em homenagem à comemoração dos 55 anos de vida da revista. Em 2014 a revista completa 70 anos. 

Manteve o laço de amizade e foi contratado no início de 2003, como repórter. E está há oito anos como editor. Viaja muito, faz entrevistas. A metade de seu tempo é trabalho de repórter; a outra, de editor, como escolher títulos, fotos, encaminhar reportagens e artigos. 
Mas a principal missão é estar sempre atento a tudo aquilo que ocorre no agronegócio brasileiro. 

Esse trabalho exige bastante, conhecer o que está acontecendo, seja uma pesquisa diferente, uma forma de adubação inovadora. A ideia da revista é publicar tudo que de mais moderno está surgindo no agronegócio brasileiro. Não há descanso. Temos que estar muito próximos do que acontece. E isso acontece não só pela Internet mas principalmente pelas viagens, saber o que as pessoas estão fazendo em suas propriedades. 

Para Leandro, as feiras agropecuárias são ambientes muito ricos culturalmente e devem ser aproveitados ao máximo por quem participa. 

- Além de tudo que você pode aprender e se inspirar, são locais onde as pessoas são muito bacanas, seja jornalistas, expositores ou o próprio público. Conhecemos gente muito interessante, de diferentes regiões do Brasil. Eu, do Sul, encontro com gente da Bahia, do Rio Grande do Norte, do Paraguai, da Argentina, da Espanha. É uma experiência muito rica. 

Foto: Paulo Palma Beraldo
Profundidade
Para Leandro, escrever na revista A Granja é como disputar uma partida de Copa do Mundo. "Você tem que estar muito seguro daquilo que está fazendo, porque do outro lado (dos leitores), tem muita gente competente". 

Alguns dos principais produtores agrícolas do Brasil assinam essa entrevista. Em muitas fazendas a gente chega e vemos a revista numa mesa do escritório. Estamos escrevendo para quem conhece muito. Qualquer detalhe, informação que formos buscar, tem que ter profundidade. O público da revista é muito seleto, não podemos de jeito nenhum escrever uma coisa errada, confundir uma praga com outra. É um nível de exigência bem alta - conta

- Temos sempre que buscar informação com os melhores porque quem vai ler também é muito bom. E é por isso que temos que ler muito, se informar. Saber do que está falando para poder abordar melhor os assuntos. 

- Para mim, o jornalista tem que se especializar em algo. Alguém que conheça um assunto acima da média, seja moda, trânsito, meio ambiente. No caso de jornalismo agrícola também. Até 20 anos atrás, muito pouco se abordava sobre agricultura na imprensa. Havia menos veículos de comunicação ligados ao agronegócio. Agora temos canais de TV, sites muito bons. O Brasil é um dos principais produtores de alimentos, então a imprensa tem que dar importância para esse tema. 

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