Ipanema detém mais da metade do mercado de aviação agrícola no Brasil

Em 2013, foram vendidas 70 aeronaves; custo do modelo básico é de aproximadamente  R$ 950.000 

Paulo Palma Beraldo





O líder do mercado de aviação agrícola do Brasil, que detém mais de 60% do mercado. Assim pode ser definido o Ipanema, avião produzido pela Embraer há 43 anos. Mais de 1.300 unidades foram entregues desde o início da fabricação dos aviões. 

O sucesso da aeronave se deve, também, à sua capacidade de adaptação: ao longo do tempo, foram incorporadas melhorias no Ipanema de acordo com as necessidades dos clientes, o que tem garantido a confiança e a sua liderança no mercado - disse Fábio Bertoldi Carretto, gerente comercial da Embraer, em comunicado oficial da empresa.

Para saber mais sobre o Ipanema, o De Olho no Campo visitou o estande da Embraer na Agrishow 2014 e conversou com Éder Antônio Calistro, representante da Lopes Aeronáutica, empresa que comercializa os aviões Ipanema na região Centro-Oeste. A sede da empresa está localizada em Cuiabá-MT e funciona desde 2001.

- A Lopes Aeronáutica iniciou os trabalhos de representação da Embraer em 2001 para venda da aeronave Ipanema, atuando inicialmente sobre o Centro-Oeste. Hoje representa Centro-Oeste, Norte e Maranhão, no Nordeste, abrangendo 11 estados - conta Éder.


Segundo dados da Embraer, o Ipanema funciona com etanol desde 2005, o que reduz o impacto ambiental e os custos de operação e manutenção. Hoje, aproximadamente 40% da frota em operação é movida a etanol e 80% dos novos aviões são vendidos com essa configuração. O Ipanema é utilizado principalmente na aplicação de defensivos agrícolas nas mais diversas culturas. Outro uso importante é o combate a incêndios. 


Exibição do Ipanema na Agrishow 2014. 
Éder explica que existem dúvidas por parte de alguns produtores sobre os verdadeiros números da aviação agrícola. Para isso, a Lopes Aeronáutica faz visitas a produtores que não têm estrutura ou condições de comprar o avião, mas que podem contratar prestadoras de serviços que vendem a aplicação de defensivos agrícolas por aviões. 

Tentamos quebrar o paradigma de que a aplicação aérea é cara e inviável. O que nós fazemos é um trabalho de conscientização do mercado para mostrar que o custo operacional não é o que eles acham que é. Quem ainda não tem infraestrutura adequada para ter uma aeronave própria, percebe isso e acaba contratando o serviço das prestadoras da região - comenta Éder



Existe uma divisão entre perfis de clientes. Um é o produtor rural, a pessoa que compra; outro é a empresa aeroagrícola, prestadora de serviços, que tem uma frota de aeronaves e terceiriza o serviço de acordo com a necessidade do cliente. Para isso, são organizadas visitas, onde é distribuído um material informativo que compara o uso do equipamento terrestre e o avião, mostrando as vantagens. 

- A principal vantagem do equipamento aéreo é a não compactação do solo e o não amassamento das plantas. Muitas vezes, ele (produtor) não considera isso um prejuízo. Porém, um plantio direto, por exemplo, já ficaria prejudicado. Pelo peso do equipamento terrestre que chega às vezes a sete e até dez toneladas - diz Éder.

De acordo com dados do informativo fornecido pela Lopes Aeronáutica, o prejuízo com o amassamento numa lavoura de 1.000 hectares de soja é algo em torno de três por cento. Se cada hectare produzir 55 sacas, então a perda é de 1,65 saca por hectare. Ou 1.650 sacas, o que seria algo em torno de 80 mil reais de prejuízos. 

Em 2013 foram comercializados 70 aviões. Da Lopes Aeronáutica, foram entregues 31. O custo do avião varia de acordo com a configuração desejada pelo produtor e dos opcionais, mas a configuração básica custa aproximadamente 950 mil reais e pode ser financiado pelas linhas de crédito do " Banco Nacional Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

- O custo de aquisição é como se fosse o custo de aquisição de uma máquina grande. Além disso, existe uma linha de financiamento específica subsidiada pelo governo federal para cada região - diz Éder Calistro.

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