Biodiesel agrega valor às cadeias produtivas da soja e da carne bovina

O aumento da mistura compulsória de biodiesel estimulou a ampliação do processamento de soja no Brasil. Segundo a ABIOVE, após a vigência compulsória da mistura, o preço do sebo bovino, que hoje representa 20% de todo o biodiesel produzido no País, atingiu o valor médio de R$ 1.700 por tonelada, em relação a R$780/t entre 2000 e 2007. 

Outros exemplos de agregação de valor pelo biodiesel: utilização da palma, cultura que atrai investimentos na produção e na extração de óleo no Pará; reutilização de óleos de fritura usados, dos quais se produziram mais de 30 milhões de litros do biocombustível em 2013.

Além de beneficiar o meio ambiente e a saúde e de contribuir para o desenvolvimento social e econômico, o uso do biodiesel proporciona agregação de valor às cadeias que lhe dão suporte, como a da soja e a da carne bovina. O óleo de soja e o sebo bovino são as principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil. 

Cada tonelada de soja esmagada pelas unidades agroindustriais resulta em cerca de 200 quilos de óleo vegetal e 800 quilos de farelo de soja. O óleo, consumido internamente e exportado, é matéria-prima da indústria alimentícia e do biodiesel, e o farelo abastece o mercado de ração animal para aves e suínos. Quanto maior a agregação de valor ao grão de soja, mais elevados são os investimentos e a geração de empregos. 
O aumento da mistura compulsória de biodiesel estimulou a ampliação do processamento de soja no Brasil. Entre 2004 e 2007, período anterior à vigência da mistura compulsória de biodiesel no diesel, eram esmagadas em torno de 29,7 milhões de toneladas ao ano. Entre 2008 e 2009, o processamento anual médio atingiu 31,3 milhões de toneladas. 

Já de 2010 em diante, período que compreende a vigência do B5, esse número saltou para 36,4 milhões de t. Percebe-se, portanto, que o Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB) teve um papel importante na agregação de valor e contribuiu para maior equilíbrio entre a exportação do grão in natura e o seu processamento.

O sebo bovino, outrora resíduo da indústria processadora de carnes, foi comercializado durante oito anos – de 2000 a 2007 – pelo valor médio de R$ 780 a tonelada. Após a vigência da mistura compulsória de biodiesel no diesel, o preço dessa matéria-prima, que hoje representa 20% de todo o biodiesel produzido no Brasil, atingiu o valor médio de R$ 1.700 por tonelada. Assim, o sebo aumentou significativamente sua representatividade no portfólio de negócios dos frigoríficos. 

Situações semelhantes ocorrem em outros mercados vinculados ao biodiesel. É o caso da palma, cultura que atrai investimentos na produção e na extração de óleo no estado do Pará. Outro exemplo é a reutilização de óleos de fritura usados, dos quais se produziram mais de 30 milhões de litros do biocombustível em 2013. 
A formulação de políticas públicas, no Brasil, precisa levar em conta a importância da agregação de valor aos produtos primários. É de interesse econômico, social e ambiental incentivar maiores níveis de produção e uso de biodiesel no Brasil. A consequência dessa política é a geração de riqueza a partir das cadeias agroindustriais instaladas e em desenvolvimento no País. 

Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove)
Foto: Divulgação/Abiove

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